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Ramatis e o planeta Marte outubro 22, 2008

Posted by arturf in Herculano Pires, Júpiter, Livro dos Médiuns, Marcianos, Marte.
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Nesta parte do nosso estudo trataremos da questão da Vida no Planeta Marte, conforme descreveu Ramatis no livro do mesmo nome, que anteriormente chegou a se chamar “A Vida no Planeta Marte e os Discos Voadores”. Não se sabe bem porque a mudança no nome, mas a parte que falava nos discos voadores foi retirada das edições mais recentes.

Quando os seguidores de Ramatis são confrontados com os erros contidos na obra supracitada, vêm com dois argumentos diferentes:

1- Que Ramatis teria descrito vida espiritual, e não material;
2- Que foi animismo do médium Hercilio Maes.

Vamos procurar mostrar que não foi nem uma coisa, nem outra, neste nosso estudo, a começar com a tese de que ele teria descrito vida espiritual, e não vida material, em Marte.

As Gafes

Numa época em que a questão da vida em outros planetas e OVNIs habitava o imaginário das pessoas, Ramatis aproveita o o embalo para descrever, no citado livro, várias paisagens que de maneira alguma correspondem à realidade daquele planeta, fotografada e documentada pelas sondas que lá já pousaram.

Vamos analisar algumas dessas gafes:

1– Sobre a superfície e o degelo do pólos

Pergunta: “Há o degelo que a nossa Ciência constata através dos seus telescópios?”

Ramatis: “Sim, e às vezes algo violento, principalmente porque a superfície marciana é quase plana, com raras elevações.”

Erro nº 1 – Não há degelo dos pólos em Marte e muito menos água na sua superfície. O gelo em Marte é formado de dióxido de carbono congelado. Assim sendo, não passa para o estado liquido, e sim sublima-se (passa do estado sólido para o gasoso)

Erro nº 2 – A superfície de Marte está longe de ser predominantemente plana. O terreno é caótico, sendo que há muitas crateras e elevações gigantescas, como o Olympus Mons, um vulcão extinto que excede os 20.000 metros de altura.

Algumas fontes importantes para pesquisa e maiores informações:

http://www.solarviews.com/portug/mars.htm

http://marsrovers.nasa.gov/home/index.html

http://sse.jpl.nasa.gov/news/display.cfm?News_ID=18255

http://www.if.ufrj.br/teaching/astron/mars.html

A “água” do gelo de Marte, segundo Ramatis

Vejam o que ele diz:

Pergunta: “A água de Marte é igual à nossa?”

Ramatis: “É algo semelhante, embora muitíssimo mais leve. Cremos que os vossos astrônomos, em recente análise espectral, devem ter verificado que as neves e as nuvens, em Marte, são compostas quimicamente de H20, variando, no entanto, quanto à especificidade e peso. Sob reações científicas, pode ser igualada à da Terra; porém o marciano prefere para o seu uso um tipo de “água pesada”, grandemente radioativa e que melhor lhe nutre o sistema “organo-magnético”.

E ele continua, se colocando acima da Ciência:

Pergunta: “A composição das calotas polares é, realmente, produto do degelo acumulado, à semelhança de nossos pólos.”

Ramatis: “Nisso a ciência terrena não se equivocou, inclusive na anotação das nuvens azuladas, que registrou em suas observações. O que por vezes nos surpreende, é que a mesma ciência, negando oxigênio suficiente em Marte, anota calotas polares e nuvens azuladas que resultam sempre de hidrogênio e oxigênio, na fórmula comum.”

Erro nº 3 – As neves são compostas de dióxido de carbono congelado, e não de água congelada na sua fórmula comum;

Erro nº 4 – As nuvens são formadas por dióxido de carbono evaporado, que se sublimou.

Erro nº 5 – Não há dois tipos de água em Marte, uma mais leve e outra mais pesada, como afirma o espírito.

Quanto à temperatura no planeta Marte, Ramatis ousadamente assevera:

Pergunta:”Qual a temperatura de Marte, baseando-nos em nossas convenções termométricas?

Ramatis: “Nas regiões equatoriais, a temperatura oscila de 25 a 30 graus, a qual é agradabilíssima ao sistema biológico marciano. Chove raramente; e, devido às quedas bruscas, à noite são comuns as geadas.” (pág. 37)

Já a verdade científica assevera que Marte é um planeta frio, com temperatura média de 63 graus Celsius negativos, com uma temperatura máxima no verão de -5° C e mínima nas calotas polares de -87° C.

A variação de temperatura chega a ser de 20 graus Celsius por minuto, durante o amanhecer. Soubemos também que ocorre variação da temperatura conforme a altitude. A sonda Mars Pathfinder revelou que se uma pessoa estivesse em pé ao lado da sonda, notaria um diferença de 15 graus Celsius entre os pés e o tórax. Essa intensa variação da temperatura em Marte, provoca ventos fortes, gerando as grandes tempestades de poeira vistas na superfície marciana.

Percebemos, portanto, a pobreza da descrição ramatisiana, assim como a grande imprecisão se comparada à realidade constatada pelas sondas que lá estiveram no passado e mais recentemente. Ele não contava que, anos mais tarde, a astronáutica se desenvolveria a tal ponto que sondas seriam enviadas ao planeta e seriam capazes de tirar fotos e mapear toda a sua superfície.

Transcreveremos agora mais um trecho surpreendente da mencionada literatura, que, em nossa avaliação, prima pela incorreção e pelo desconhecimento total da realidade geológica e topográfica daquele planeta.

Pergunta: “Há muitos oceanos iguais aos nossos e existem zonas desertas?”

Ramatis: “A superfície líquida é muito menor do que a sólida, e suas águas se infiltram bastante no solo. Os mares são pouco profundos e os continentes muito recortados, existindo enseadas e golfos em quantidade. Quanto às áreas desertas, existem algumas, de areia fulva, nas outras zonas existem campos de cultura, os bosques e exuberante vegetação que se estendem à margem dos canais suplementares ou artificiais. E os imensos cinturões que observais, da Terra, quais bordados de verdura forrando as zonas ribeirinhas dos canais, são constituídos de ubérrima vegetação sob controle científico.” (pág. 38)

Para quem se dispor a pesquisar o assunto na internet, por exemplo, por nada mais que 5 minutos, vai verificar que a descrição das condições geológicas e topográficas de Marte em nada se assemelham com a realidade.

No entanto, alguns simpatizantes de Ramatis inadvertidamente passaram a divulgar, quando da constatação da realidade marciana pela ciência, que Ramatis estava a descrever a paisagem espiritual do planeta. Ora, em vários momentos ao longo da obra “A Vida no Planeta Marte…”, a citada entidade espiritual descreve vida material, tanto que chega a dizer, na parte transcrita por nós acima: “…E os imensos cinturões que observais, da Terra…” Se ele, pois, fala em “observação” da nossa parte, é claro que ele nos fala de matéria visível aos nossos olhos, isto está bem claro.

Certa feita, Herculano Pires chegou a comentar diretamente sobre esse assunto:

(…)”Têm saído no meio espírita alguns livros que apresentam Marte como superior à Terra. Ora, esses livros são muito fantasiosos. Basta essa fantasia para mostrar que não podemos depositar neles nenhuma confiança. Quando os espíritos chegam às minúcias a que descamam estes livros, minúcias sobre todo processo da vida em Marte, por exemplo, nós precisamos desconfiar dos mesmos. Porque não é essa a função dos espíritos. Que os espíritos tenham dado a Kardec uma espécie de idéia de como seria o nosso sistema solar no tocante à variedade de mundos, apresentando esses dois extremos, a gente entende, até mesmo como sendo uma espécie de maneira didática de transmitir o ensinamento sobre a posição dos mundos no espaço. E foi o que Kardec falou mesmo e ele achou muito interessante nesse sentido. Dá sempre uma idéia mais concreta do que é a vida no espaço.

A respeito de Júpiter, através das referências trazidas por Mozart e Palissy, chegou-se mesmo a transmitir, na sociedade parisiense dos espíritas, alguns desenhos, muito interessantes, sobre as casas em Júpiter, sobre as construções, como eram feitas; sobre a condição dos animais. Eles apresentaram os animais jupiterianos como animais evoluídos, animais que já estão se aproximando da condição humana, que são capazes de se incumbir de todos os trabalhos mais pesados do homem para a construção de uma casa, essas coisas todas.

Esses desenhos foram publicados em Paris. Ainda existem alguns deles que sobreviveram, porque muitos outros foram destruídos pelo tempo. E particularmente destruídos numa guerra entre 29 e 35, quando os alemães invadiram a França, invadiram Paris e ocuparam a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Deram praticamente fim a toda a Sociedade, que retinha todo o arquivo de Kardec.

Mas, apesar disso, os desenhos são muito interessantes. Eu mesmo tenho em casa um quadro com um destes desenhos. É um quadro que foi desenhado por aquele famoso teatrólogo francês, Victor Ian Sardur. Ele era um médium que trabalhava com Kardec na sociedade parisiense. Acontece que Victor Ian Sardur não era desenhista. E nem era médium desenhista. Existiam na sociedade parisiense alguns médiuns, quase todos psicógrafos. E alguns eram desenhistas. Então, quando Mozart disse que ele e Palissy iam fazer alguns desenhos sobre Júpiter, todo mundo ficou esperando que um daqueles médiuns desenhistas os recebesse. Para surpresa de todos, quem recebeu foi o Victor Ian Sardur, que nunca fora desenhista e que era um teatrólogo. Esse desenho que eu tenho aí, por exemplo, foi tirado do próprio desenho publicado na revista espírita. O desenho, não digo original, mas o que foi publicado por Kardec, ele levou nove horas para fazer. Ele era tão minucioso, que exigia muito tempo para fazer.

Isso tem a finalidade de nos dar uma idéia de como seriam os mundos. Qual é a diferença de um mundo para outro? Por que os mundos adiantados têm certas posições, por assim dizer, que para nós são incompreensíveis? Por que um mundo como Júpiter é um mundo de matéria tão rarefeita? Porque é um mundo que está se aproximando da espiritualidade, um mundo que vai se aproximando dos mundos felizes, dos mundos celestes. E os espíritos chamavam de mundos celestes aqueles que, para nós, seriam completamente invisíveis. São mundos de uma vida espírita muito superior, muito elevada. Então, essa escala dos mundos nos apresenta todas essas formas e os mundos mais primários, desde o mundo da lua, completamente material, completamente denso em matéria, desprovido, inclusive, de princípios de vida na atmosfera, até um mundo como Júpiter, em que nós encontramos essa solidez e essa beleza.

Mas quando nós falamos do problema de Marte, nós temos de lembrar que há, no espiritismo brasileiro, um problema a respeito disso. Existe o livro de Ramatis, que é muito conhecido: A vida no planeta Marte. Ramatis já é muito nosso conhecido, pois quando estudamos o espiritismo, e, estudamos a obra de Ramatis, vemos que se não trata de um espírito sábio, um espírito que está dando informações das mais absurdas sobre todas as coisas, como qualquer indivíduo pseudo-sábio na terra, que fala sobre qualquer coisa com a maior facilidade. Expõe teorias, defende princípios e, às vezes, os mais contraditórios, sem perceber que vai cair em contradição. Ramatis, então, é um espírito que não oferece nenhuma garantia para nós. As informações dele são puramente imaginárias, ilusórias. Não têm valor”.(Palestra proferida por José Herculano Pires. O texto acima é uma transcrição de fita de vídeo gravada por ocasião da palestra. )

Depois de tais constatações científicas sobre a realidade do planeta Marte, em contraposição a tudo que Ramatis descrevera, até mesmo uns dos mais famosos médiuns de Ramatis se pronunciou a respeito, só que defendendo o espírito e responsabilizando o médium Hercílio Maes. Vejamos o que escreveu o médium ramatisista Wagner Borges, em seu livro “Viagem Espiritual”:

“Quanto ao livro ‘A Vida no Planeta Marte’, esse talvez tenha sido o maior equívoco mediúnico de Hercílio Maes. Todas as informações sobre a vida extraterrestre ali descrita são verdadeiras. (Como é que ele sabe? Esteve lá pra conferir?) No entanto, há um detalhe muito importante que precisa se considerado: as informações são reais, mas aquele planeta não é Marte!”

(…)”Se ali houvesse realmente uma civilização evoluída, como Ramatis descreve, haveria indícios claros disso no planeta.”

Outro médium de Ramatis, Dalton Roque, recentemente em sua homepage, chegou a declarar:

“Não concordo com o livro sobre o planeta Marte. Não o li e nem o lerei.”

Vemos, portanto, que até mesmo ramatisistas respeitados em seu meio não mais conseguem sustentar os absurdos contidos no livro “A Vida no Planeta Marte e os Discos Voadores”, assinado por Ramatis e propagandeado em todo canto como sendo um livro espírita e de alta credibilidade.

Portanto, qual a verdadeira posição da Doutrina Espírita acerca desse tipo de relato sobre vida em outros mundos?

Kardec é bastante claro:

“Não temos sobre os outros mundos senão notícias HIPOTÉTICAS.”

Em 1862, Kardec pede explicações ao espírito Georges sobre suas mensagens a respeito de planetas, como Vênus, e o questionou sobre alguns pontos. Ao final, conclui:

“Essa descrição de Vênus, sem dúvida, não tem nenhum dos caracteres de uma autenticidade absoluta, e também não a damos senão a título condicional.”

Em “O Livro dos Médiuns”, consta ainda o seguinte:

296. Perguntas sobre os outros mundos

32ª Que confiança se pode depositar nas descrições que os Espíritos fazem dos diferentes mundos?

“Depende do grau de adiantamento real dos Espíritos que dão essas descrições, pois bem deveis compreender que Espíritos vulgares são tão incapazes de vos informarem a esse respeito, quanto o é, entre vós, um ignorante, de descrever todos os países da Terra.

Formulais muitas vezes, sobre esses mundos, questões científicas que tais Espíritos não podem resolver.

Se eles estiverem de boa-fé falarão disso de acordo com suas idéias pessoais; se forem Espíritos levianos divertir-se-ão em dar-vos descrições estranhas e fantásticas, tanto mais facilmente quanto esses Espíritos, que na erraticidade não são menos providos de imaginação do que na Terra, tiram dessa faculdade a narração de muitas coisas que nada têm de real.

Entretanto, não julgueis absolutamente impossível obterdes, sobre os outros mundos, alguns esclarecimentos. Os bons Espíritos se comprazem mesmo em descrever-vos os que eles habitam, como ensino tendente a vos melhorar, induzindo-vos a seguir o caminho que vos conduzirá a esses mundos. É um meio de vos fixarem as idéias sobre o futuro e não vos deixarem na incerteza.”

a) Como se pode verificar a exatidão dessas descrições?

“A MELHOR VERIFICAÇÃO RESIDE NA CONCORDÂNCIA que haja entre elas.

Porém, lembrai-vos de que semelhantes descrições têm por fim o vosso melhoramento moral e que, por conseguinte, é sobre o estado moral dos habitantes dos Outros mundos que podeis ser mais bem informados e não sobre o estado físico ou geológico de tais esferas.

Com os vossos conhecimentos atuais, não poderíeis mesmo compreendê-lo; semelhante estudo de nada serviria para o vosso progresso na Terra e toda a possibilidade tereis de fazê-lo, quando nelas estiverdes.”

NOTA: As questões sobre a constituição física e os elementos astronômicos dos mundos se compreendem no campo das pesquisas científicas, para cuja efetivação não devem os Espíritos poupar-nos os trabalhos que demandam.

Se não fosse assim, muito cômodo se tornaria para um astrônomo pedir aos Espíritos que lhe fizessem os cálculos, o que, no entanto, depois, sem dúvida, esconderia.
Se os Espíritos pudessem, por meio da revelação, evitar o trabalho de uma descoberta, é provável que o fizessem para um sábio que, por bastante modesto, não hesitaria em proclamar abertamente o meio pelo qual o alcançara e não para os orgulhosos que os renegam e a cujo amor-próprio, ao contrário, eles muitas vezes poupam decepções.

O Livro dos Médiuns – Capítulo XXVI – Das Perguntas que se Podem Fazer aos Espíritos/Perguntas sobre os outros mundos

O grande escritor e divulgador espírita, Carlos Imbassahy, já desencarnado, certa feita foi perguntado sobre o espírito Ramatis e o planeta Marte, tendo respondido o seguinte, conforme consta do livro “As Melhores Respostas do Imbassahy”:

“Remete-me o confrade P. – que não deseja ver publicado seu nome – uma longa mensagem onde se descreve a vida em Marte, e me pergunta o que eu acho. Mas que posso eu achar num planeta a tal distância? Ainda se fosse ali em Cascadura… A coisa única que me ocorre dizer-lhe é que estas histórias de Marte são de morte! (implicitamente, a vida em Marte sugere a obra de Ramatis; sem querer citá-la, Dr. Imbassahy limita-se a passar por alto pelo assunto…”

Aproveitamos para agradecer à ADE-SE – Associação dos Divulgadores do Espiritismo do Estado do Sergipe pela divulgação deste nosso artigo em sua página. Eis o link:

http://www.ade-sergipe.com.br/sistema/upload_dir/RAMATIS-_E_SEUS_INFORMES!.doc

Comentários»

1. Willian - outubro 22, 2008

Agora os Ramatistas tem outro argumento mais absurdo – A vida em Marte é subterrânea.

2. rveras - novembro 23, 2008

REALMENTE O LIVRO “A VIDA NO PLANETA MARTE’ ESTÁ COMPLETAMENTE DESMASCARADO,COM AS EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS EM CONFRONTO COM O QUE É AFIRMADO NA OBRA.OTEMPO É O SENHOR DA RAZÃO.PAZ E LUZ A TODOS


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