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Ramatis e a Lei de Reprodução janeiro 15, 2010

Posted by arturf in Lei de Reprodução.
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Dentro de nossa análise dos ditados do espírito Ramatis, encontramos inúmeros posicionamentos unilaterais da citada entidade que contrariam diametralmente as preciosas instruções dos Espíritos Superiores a Allan Kardec, assim como o próprio senso-comum. É o caso da posição ramatisiana acerca dos métodos contraceptivos contida na obra “A Vida Humana e o Espírito Imortal”, através do médium Hercílio Maes. Vejamos:

“Só existe um único e justificável recurso para a limitação de filhos, capaz de livrar o homem de qualquer responsabilidade para com a Lei do Carma: é a continência sexual! Fora disso, o homem é culposo de tentar fugir ou evitar as suas consequências procriativas! Em verdade, os próprios animais mostram-se mais corretos do que o homem nas suas relações sexuais, pois só as praticam em épocas de cio destinadas à procriação, mantendo-se em continência nos períodos de infecundidade!”

Como se vê, Ramatis afirma, textualmente, que o único e justificável recurso para a limitação de filhos é a abstinência, sendo que ainda aconselha aos encarnados agirem tal qual os animais irracionais, que só têm relações sexuais quando a fêmea está no cio!…

Com certeza, tal opinião radical, mais uma vez, nem de longe encontra respaldo na Doutrina Espírita e na Ciência Oficial, além de ser equivocada do ponto-de-vista moral, uma vez que Ramatis só admite o sexo para reprodução, ignorando que os seres humanos têm sua sexualidade não só motivada pela biologia e com vistas à reprodução, mas também e principalmente por valores afetivos.

Ramatis ignorou também que nos animais irracionais, os períodos de receptividade sexual, chamados de estro ou cio, ocorrem em intervalos específicos e identificáveis, seguidos por fases de atividade sexual, bem diferente do que ocorre na espécie humana.

Concordante com as conquistas da Ciência, da razão e da lógica, e não com preconceitos e radicalismos próprios dos espíritos pouco adiantados, o Espiritismo ensina que a ordenação bíblica — “crescei e multiplicai-vos” — inclusive utilizada por Ramatis para sustentar sua argumentação, não tem sido, até hoje, bem compreendida por todos. Os que se atêm à letra das Escrituras, sem penetrar-lhe o espírito, vêem nessas palavras uma lei divina, estabelecendo que a reprodução das espécies, inclusive a humana, deva ser livre e ilimitada, e que obstá-la seria grave pecado. Sem dúvida, a reprodução dos seres vivos é lei da natureza e preenche uma necessidade no mecanismo da Evolução; isso não quer dizer, entretanto, seja proibido ao homem adotar certas medidas para a regular. Tudo depende da finalidade que se tenha em vista.

No que diz respeito ao controle da natalidade humana, objeto, hoje, de complexas pesquisas nos campos da Biologia, da Genética, da Farmacologia, da Sociologia, etc., e de acalorados debates entre teólogos e moralistas de várias tendências, a Doutrina Espírita nos autoriza a afirmar que, em havendo razões realmente justas para isso, pode o homem limitar sua prole, evitando a concepção.

A questão nº 694 de “O Livro dos Espíritos” dirime todas as dúvidas sobre o assunto, pois condena taxativamente apenas “os usos, cujo efeito consiste em obstar a reprodução, para satisfação da sensualidade”, deixando claro que pode haver, como de fato há, inúmeros casos em que se faz necessário não só restringir, mas até mesmo evitar qualquer quantidade de filhos.

O homem se distingue dos animais — disseram ainda os Espíritos Reveladores na Codificação — por obrar com conhecimento de causa.” Portanto, o que dele se espera não é apenas que procrie por força do instinto sexual, qual mero reprodutor, mas que sejam pais e mães responsáveis e zelosos, dignificando a existência de seus filhos.

Ramatis ainda chega a afirmar que “não foi necessário o uso de pílulas anticoncepcionais para limitar-se a procriação dos animais antediluvianos e monstruosos, como eram os brontossauros e dinossauros, pois eles foram escasseando sob o rigorismo da própria Lei que os criou”, numa comparação dantesca com os animais pré-históricos, num claro incentivo à reprodução descontrolada e irracional.

Mais adiante, após condenar o erotismo, o desejo e o prazer oriundo do contato sexual, cai em contradição ao responder a seguinte pergunta ao falar dos sultões e seus haréns, indiretamente justificando a poligamia:

P.: “E que dizeis desses sultões, donos de vastos “haréns” de mulheres, cuja descendência atinge a centenas de filhos?

Ramatis: – “Eles cumprem a Lei da Procriação sob os costumes e a moral concebida pela sua raça, atendendo às próprias necessidades dos espíritos de sua linhagem evolutiva!” (…) Assim, a prolífica descendência dos sultões, no Oriente, ou de certos povos e tribos disseminadas pela África e Ásia, auxilia na solução dos problemas espirituais, porque proporcionam os corpos ou instrumentos de aprendizado para outros irmãos desesperados ou carentes de alfabetização, através do livro da natureza material!”

Já os Espíritos Superiores, em resposta à questão 701, ensinam que a abolição da poligamia, lei ainda existente entre alguns povos, marca um progresso social – que dizemos grandioso –, porquanto “o casamento, segundo as vistas de Deus, tem que se fundar na afeição dos seres que se unem”. E concluem sabiamente:

“Na poligamia não há afeição real: há apenas sensualidade.”

Seguindo com suas “instruções” sobre sexo somente para procriação, Ramatis ainda afirma que um casal deve ter, no mínimo, quatro filhos (!), para estar quite com a Lei, o que é uma insensatez, pois estabelece um parâmetro único de conduta para todos os casais existentes no planeta.

Verificamos, assim, que o Espiritismo estabelece que o indivíduo pode regular, segundo a sua vontade, o número de filhos que deseja possuir, aquilo que hoje conhecemos como “planejamento familiar“. Já Ramatis, adotando um posicionamento radical e moralista, atrela o sexo apenas à reprodução, tal qual um fundamentalista religioso, que enxerga pecado em tudo. Frente a tal absurdo, um dos médiuns de Ramatis, Wagner Borges, em seu livro “Viagem Espiritual”, chegou a afirmar que tal pensamento sobre os contraceptivos não seria de Ramatis, mas sim uma interferência anímica de Hercílio Maes, na já conhecida estratégia de defender o espírito de qualquer maneira, exaltando-o quando ele parece acertar e imputando os inúmeros absurdos única e exclusivamente ao médium.

Esperamos que o leitor tenha podido, mais uma vez, aquilatar o que é ensino espírita e diferenciá-lo daquilo que não passa de uma inglória tentativa de um espírito pseudo-sábio em impor suas ideias, tomadas como reflexo da Verdade e que deseja, a todo custo, que prevaleçam.

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