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Ramatis é autor não espírita, por Jávier Godinho julho 28, 2010

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Foi publicado no jornal “Diário da Manhã”, de Goiânia – GO, um interessante artigo sobre Ramatis, com menção à obra de nossa autoria “Ramatis, Sábio ou Pseudo-Sábio?”. O brilhante texto tem a autoria do jornalista, palestrante e estudioso espírita Jávier Godinho, membro da Academia Goianiense de Letras e doutrinador da Federação Espírita de Goiás, além de redator da Revista Espírita Allan Kardec, e pode ser lido também através do site do próprio jornal no link http://site.dm.com.br/noticias/opiniao/ramatis-nao-e-autor-espirita?.

“Gentil leitor contou-nos um dia desses que aprecia muito as obras de Ramatis, pedindo-nos que escrevêssemos alguma coisa sobre ‘esse autor espírita’. Respondêmo-lhe que Ramatis não era espírita (seguidor da doutrina espírita, codificada por Allan Kardec), mas espiritualista (adepto do espiritualismo, segundo o dicionário doutrina filosófica que tem por base a existência de Deus e da alma, o que é bem mais amplo e diferente em muitos aspectos).

Relata Eduardo Carvalho Monteiro, no seu livro ‘Salas de visitas de Chico Xavier’ (coedição Eldorado/Eme, Capivari, São Paulo) que, há pouco mais de meio século, ficou muito conhecido um médium chamado Hercílio Maes, totalmente desligado do movimento espírita. Ele começou com algumas mensagens, recebidas sempre sozinho em sua residência e atribuídas a um espírito oriental que se apresentava como Ramatis.

Um dos primeiros livros de Ramatis foi Magia de redenção, que já evidenciava a preocupação com os problemas da magia e com habitantes de outros astros. Nova publicação, A vida no planeta Marte, numa época quando o cinema e a imprensa abusavam do tema disco voador, recebeu a atenção e os aplausos de milhares de espiritualistas, que queriam saber se os marcianos tinham mãos, olhos, nariz e outras partes do corpo iguais às nossas. Além de tudo, a redação era clara, boa e atraente, dificultando distinguir se se tratava de realidade ou de ficção.
Os livros de Ramatis vendiam muito e lotaram as prateleiras de livrarias e bibliotecas de muitos centros e até de federações espíritas. Baseados neles, para alguns, Kardec estava superado, ultrapassado por um indiano realmente moderno e de muito maior visão do universo.

Herculano Pires, sociólogo e jornalista, que brindou seus leitores com numerosas obras sérias e de indiscutível valor científico, mantinha no Diário de São Paulo uma coluna com o pseudônimo de Irmão Saulo, muito lida e discutida por espíritas e não espíritas. Lá, reconhecendo o mérito intelectual de Ramatis, reconheceu igualmente a inconveniência de suas ideias exóticas. Palavras textuais de J. Herculano Pires: “Perigoso não é o expositor ou autor que só diz tolices, vazadas em linguagem obscura, pobre, cheia de erros gramaticais e idéias pueris. Perigoso, sim, é o que expõe certo número de noções exatas, que usa argumentação brilhante, mas introduz, de permeio, ideias erradas e perigosas. Assim, tais ideias têm grande probabilidade de aceitação. É o que acontece com Ramatis”.

O filósofo Voltaire, com outras palavras, já havia dito a mesma coisa: “Mais perigosa do que uma mentira pode ser uma meia verdade”.

Artur Felipe Ferreira, autor de Ramatis, sábio ou pseudo-sábio?, que analisou os conceitos de Ramatis sobre magia, a vida em Marte, ideias espiritualistas orientais, gênese planetária e mediunidade, não deixou por menos e o classificou de pseudossábio.

Vai daí que Ramatis lançou ‘Os tempos são chegados’, anunciando o fim do mundo para o apagar do século 20. Isto aconteceria porque um astro saneador, que os astrônomos não percebiam, já estaria se aproximando da Terra, cujo eixo inverteria com seu magnetismo irresistível e de onde arrastaria os espíritos de dois terços da humanidade, no mais terrível das hecatombes. Esse corpo celeste apocalíptico foi chamado, dentre outros nomes, de Gheena, ou “planeta monstro” e “planeta chupão”, aterrorizando milhares de pessoas, nos cinco continentes e, sobretudo, espiritualistas no Brasil.

Aduz Eduardo Carvalho Monteiro que, como não poderia deixar de acontecer, até Francisco Cândido Xavier viu-se enredado em torno da polêmica formada, mas ‘Emmanuel, por seu intermédio, soube sair bem do imbróglio, sem ferir o médium (Hercílio Maes), o espírito (Ramatis) ou seus admiradores. Chico, como sempre, sem perder a humildade, ensina, esclarece e dá-nos uma lição de respeito ao trabalho de outros médiuns’.

Entrevistado sobre tema tão delicado, Chico respondeu às perguntas da Revista Aliança para o terceiro milênio, de cunho espiritualista, edição de janeiro de 1956, que circulou em São Paulo até 1960. Seguem alguns trechos dessas declarações que tranquilizam e, em momento algum, confirmam fim do mundo:

“Esclarece nosso orientador espiritual Emmanuel que o assunto alusivo à aproximação de um planeta da aura da Terra deve, naturalmente, buscar-se em estudos científicos que possam saciar a curiosidade construtiva das novas gerações. O problema, desse modo, envolve acurados exames, com a colaboração da ciência, razão pela qual pede ele não nos detenhamos na expressão física dos acontecimentos que se aproximam”.(…)
“Afirma o nosso amigo que o progresso da ótica e das ciências matemáticas serão portadoras das ilações, de conclusões mais altas na importância de nossos destinos futuros próximos. Afirma que não podemos esquecer que a Terra, em sua constituição física propriamente considerada, possui os seus grandes repousos e atividades em períodos determinados”.(…)
“Toda essa eclosão de notícias, de mensagens, de avisos da vida espiritual, deve significar para o homem domiciliado na Terra, no presente século, que urge o nosso aproveitamento das lições de Jesus”. (…)
“Essa mensagem é digna de nosso melhor apreço. Contudo, na experiência de Emmanuel, nosso companheiro mais velho, fica-nos a recomendação para um interesse mais efetivo à fixação dos valores morais em nossa personalidade terrena, de conformidade com os padrões estabelecidos no Evangelho do nosso Divino Mestre”.

É o tempo implacável restabelecedor da verdade.

Sem planeta-monstro, amanheceu radiante e belo o dia primeiro de janeiro de 2000, novo século e novo milênio. Mesmo com fenômenos naturais arrasadores, quase um decênio depois, prossegue a mesma vida nos cinco continentes.

O médium Hercílio Maes retornou ao plano espiritual e não se teve mais notícias de Ramatis, cujos livros desceram das prateleiras e raramente são encontrados.
No Evangelho de Mateus está escrito, há dois mil anos: “Guardai-vos dos falsos profetas…” (7; 15).

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