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Entrevista de José Raul Teixeira abril 16, 2011

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O conhecido e respeitado divulgador espírita José Raul Teixeira, meu conterrâneo, ao qual tive a oportunidade de estar certa feita e oferecer a obra “Ramatis, Sábio ou Pseudo-Sábio?”,- que, aliás, foi muito bem avaliada pelo mesmo,- deu oportuna entrevista em 29 de março de 2011 à Revista O Consolador, onde manifesta sua preocupação com a enxurrada de obras antidoutrinárias e de má qualidade que vêm lotando as prateleiras de alguns anos para cá. Confiram:

Pergunta:– O livro espírita é sempre bem-vindo como portador de ensinamentos, mas percebe-se uma quantidade considerável deles que, embora difundidos no meio espírita, destoam dos fundamentos contidos na obra kardequiana. Como devem se posicionar os espíritas, principalmente os que são dirigentes de casas espíritas, diante dessas obras?

Raul Teixeira: Diante da falta de hábito da boa leitura por parte de grandíssimo número das pessoas em nossas sociedades, entendemos que o Movimento Espírita não teria como escapar da participação delas em seus quadros. Danoso processo de preguiça intelectual empurra os indivíduos para o desinteresse em aprender e para a pouca leitura. Pouca leitura, por sua vez, acarreta pouco conhecimento, parco discernimento e baixo poder de análise.

Enquanto se mantiver o imenso contingente de espíritas que adora ler as orelhas dos livros apenas e os romancecos de final feliz, sem nenhum interesse para examinar tanto os fundamentos do Espiritismo quanto as suas obras literárias sérias, que os confirmam, teremos essa invasão aventureira de literatura de gosto duvidoso – algumas vezes mediúnica, doutras vezes pseudomediúnicas, mas sempre produtos da mistificação dos seus autores desencarnados e de seus instrumentos humanos.

Os dirigentes de instituições espíritas, quando conscientes e responsáveis perante a Doutrina Espírita, assim como os demais espíritas lúcidos e atentos, deverão examinar cuidadosamente todo o produto intelectual que lhes chegue – mediúnico ou não –, a fim de que não compactuem com o sombrio projeto do Além inferior, que vem encontrando instrumentos dóceis e fáceis para enodoar a mediunidade séria, lançando-a na vala comum das inconsequências, como para confundir neófitos e inexpertos que, ingenuamente, creem que tudo o que aparece para a venda nas livrarias ditas espíritas guarda compromisso superior com a sã divulgação e aclaramento do Espiritismo.

A melhor posição será sempre a da vigilância tranquila e permanente, sem qualquer neurose ou desesperação, na certeza de que o esforço continuado dos seguidores fiéis acabará por suplantar a sanha dinheirista dos espertalhões de plantão, quando, então, todos teremos a visão mais aclarada para os livros de real valor como obra genuinamente espírita.

Comentários»

1. Sergio Aleixo - junho 1, 2011

Resta saber o que seria "vigilância tranquila e permanente, sem qualquer neurose ou desesperação"??? Seria a vigilância dos que não se comprometem e prezam mais o seu trânsito por todas as turmas e seu bem-querer por todos os partidos? Sei não, sei não, Artur.

2. Rodrigo Luz - junho 12, 2011

A vigilância do próprio médium carioca em questão é posta em cheque… Afinal, de que vale açoitar os "espertalhões de plantão" na saga "dinheirista" e, por outro lado, apoiar os ilustres "líderes" espíritas encarnados que prestam um grande desserviço à causa doutrinária? Oras! O discurso de fidelidade doutrinária deveria valer para TODOS, sem distinção de pessoas… Afinal, o método e a obra de Kardec são superiores a todas (todas mesmo!) as produções mediúnicas que pululam no mercado e preenchem as estantes dos centros espíritas…A posição política (no mal sentido) é extremamente anti-cristã. Sabe-se, por exemplo, que Jesus foi assassinado na Palestina romana de sua época por ser mais elemento de perigo do ponto de vista político… Jesus jamais atendia aos interesses de dois senhores… Por isso, era motivo de incômodo…Bem… sabemos que o discurso de Raul Teixeira mais parece servir aos senhores dominantes, uma vez que condena os "espertalhões de plantão" na busca de encher os bolsos de mufunfa… Mas, e os médiuns tradicionalmente considerados 'santos'? O discernimento não se aplica também a eles? Aliás, o que mais vejo entre os senhores Divaldo franco e Raul Teixeira é uma repetição de tradições evangélicas superadas pelo avanço da historiografia, da genética, da física e da astronomia… Ah! E da psicologia nem se fala… Aquela aclamada série psicológica, ditada a outro médium, apoiada e elogiada, inclusive, por Raul Teixeira, não passa de um tentativa ousada de descaracterizar a psicologia de uma maneira autoritária e sem nenhum tipo de controle metodológico… O senhor Raul Teixeira precisa, sim, divulgar o Espiritismo… E, se quiser seguir o exemplo de Jesus,começar a colocar os pingos nos 'is', sem dar espaço aos compadrismos de nenhuma natureza…


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