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Nos Descaminhos da Fascinação julho 12, 2010

Posted by arturf in Apometria, crendices, crianças índigo, cristais, espíritos mistificadores, espíritos pseudo-sábios, fascinação, intraterrenos, obsessão.
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Há, em “O Livro dos Espíritos“, primeira e principal obra da Codificação Espírita, um questionamento de Allan Kardec aos Espíritos Superiores nos seguintes termos:

459 – “Os espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações?”

Cuja resposta foi: “A esse respeito sua influência é maior do que credes, porque, frequentemente, são eles que vos dirigem”.

Allan Kardec, assim como os Espíritos Superiores que o inspiraram no trabalho de escrever e organizar as obras que compõe a Codificação Espírita, sempre se preocupou em alertar acerca dos perigos oriundos da influência dos espíritos imperfeitos. À esta influência deram o nome de “obsessão”.

Didaticamente, a obsessão pode atingir três graus bem caracterizados, conforme podemos ler em “O Livro dos Médiuns“:

1 – Obsessão simples , que é, segundo o Codificador, “quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, se imiscui, a seu mau grado, nas comunicações que ele recebe, o impede de se comunicar com outros Espíritos e se apresenta em lugar dos que são evocados.(…) Ninguém está obsidiado pelo simples fato de ser enganado por um Espírito mentiroso. O melhor médium se acha exposto a isso, sobretudo, no começo, quando ainda lhe falta a experiência necessária, do mesmo modo que, entre nós homens, os mais honestos podem ser enganados por velhacos. Pode-se, pois, ser enganado, sem estar obsidiado. A obsessão consiste na tenacidade de um Espírito, do qual não consegue desembaraçar-se a pessoa sobre quem ele atua”.

(…)”Na obsessão simples, o médium sabe muito bem que se acha presa de um Espírito mentiroso e este não se disfarça; de nenhuma forma dissimula suas más intenções e o seu propósito de contrariar. O médium que se mantém em guarda raramente é enganado. Este gênero de obsessão é, portanto, apenas desagradável e não tem outro inconveniente, além do de opor obstáculo às comunicações que se desejara receber de Espíritos sérios, ou dos afeiçoados”.

2 – A subjugação, que é “uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir a seu mau grado. O paciente fica sob um verdadeiro jugo. A subjugação pode ser moral ou corporal”.

“No primeiro caso, o subjugado é constrangido a tomar resoluções muitas vezes absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, ele julga sensatas: é como uma fascinação.

No segundo caso, o Espírito atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários. Traduz-se, no médium escrevente, por uma necessidade incessante de escrever, ainda nos momentos menos oportunos. Vimos alguns que, à falta de pena ou lápis, simulavam escrever com o dedo, onde quer que se encontrassem, mesmo nas ruas, nas portas, nas paredes.

Vai, às vezes, mais longe a subjugação corporal; pode levar aos mais ridículos atos. Conhecemos um homem, que não era jovem, nem belo e que, sob o império de uma obsessão dessa natureza, se via constrangido, por uma força irresistível, a pôr-se de joelhos diante de uma moça a cujo respeito nenhuma pretensão nutria e pedi-la em casamento. Outras vezes, sentia nas costas e nos jarretes uma pressão enérgica, que o forçava, não obstante a resistência que lhe opunha, a se ajoelhar e beijar o chão nos lugares públicos e em presença da multidão. Esse homem passava por louco entre as pessoas de suas relações; estamos, porém, convencidos de que absolutamente não o era; porquanto tinha consciência plena do ridículo do que fazia contra a sua vontade e com isso sofria horrivelmente”.

3 – E, finalmente, a fascinação, que “é muito mais grave, no sentido de que o médium se ilude completamente. O Espírito que o domina ganha sua confiança ao ponto de paralisar seu próprio julgamento na análise das comunicações e lhe faz achar sublimes as coisas mais absurdas”.

“Há Espíritos obsessores sem maldade, que alguma coisa mesmo denotam de bom, mas dominados pelo orgulho do falso saber. Têm suas idéias, seus sistemas sobre as ciências, a economia social, a moral, a religião, a filosofia, e querem fazer que suas opiniões prevaleçam. Para esse efeito, procuram médiuns bastante crédulos para os aceitar de olhos fechados e que eles fascinam, a fim de os impedir de discernirem o verdadeiro do falso. São os mais perigosos, porque os sofismas nada lhes custam e podem tornar cridas as mais ridículas utopias.(…) Procuram deslumbrar por meio de uma linguagem empolada, mais pretensiosa do que profunda, eriçada de termos técnicos e recheada das retumbantes palavras caridade e moral. Cuidadosamente evitarão dar um mau conselho, porque bem sabem que seriam repelidos. Daí vem que os que são por eles enganados os defendem, dizendo: ‘Bem vedes que nada dizem de mau’. A moral, porém, para esses Espíritos é simples passaporte, é o que menos os preocupa. O que querem, acima de tudo, é impor suas idéias por mais disparatadas que sejam”.

A fim de que pudéssemos reconhecer melhor os espíritos fascinadores, Kardec os descreve:

“Os Espíritos dados a sistemas são geralmente escrevinhadores, pelo que buscam os médiuns que escrevem com facilidade e dos quais tratam de fazer instrumentos dóceis e, sobretudo, entusiastas, fascinando-os. São quase sempre verbosos, muito prolixos, procurando compensar a qualidade pela quantidade. Comprazem-se em ditar, aos seus intérpretes, volumosos escritos indigestos e frequentemente pouco inteligíveis, que, felizmente, têm por antídoto a impossibilidade material de serem lidos pelas massas. Os Espíritos verdadeiramente superiores são sóbrios de palavras; dizem muita coisa em poucas frases. Segue-se que aquela fecundidade prodigiosa deve sempre ser suspeita.”

E aconselha:

Nunca será demais toda a circunspecção, quando se trate de publicar semelhantes escritos. As utopias e as excentricidades, que neles por vezes abundam e chocam o bom-senso, produzem lamentável impressão nas pessoas ainda noviças na Doutrina, dando-lhes uma idéia falsa do Espiritismo, sem mesmo se levar em conta que são armas de que se servem seus inimigos, para ridicularizá-lo. Entre tais publicações, algumas há que, sem serem más e sem provirem de uma obsessão, podem considerar-se imprudentes, intempestivas, ou desazadas.”

Os Efeitos sobre o Movimento Espírita

A fascinação é realmente mais comum do que se pensa. Tal como uma epidemia, espalhou-se, e, atualmente, atinge o Movimento Espírita como uma doença moral muito séria. Aliada à falta de estudo das obras de Kardec, à tendência cultural ao sincretismo e à ausência de discernimento e de auto-crítica, ela é responsável pela edição de livros antidoutrinários e comprometedores existentes no mercado da literatura espírita. Essas obras são escritas por médiuns e escritores muitas vezes ingênuos ou mesmo vaidosos que, sob o império da fascinação, não se dão conta do ridículo a que se submetem, comprometendo, inclusive, o sadio entendimento das massas acerca da própria Doutrina Espírita e do que ela verdadeiramente ensina.

A Salada Mística

A fascinação é, sem dúvida, a responsável por inúmeras condutas esdrúxulas observadas em núcleos ditos espíritas, tais como práticas de cunho supersticioso e místico, sem qualquer fundamento racional e doutrinário.

Na esfera da divulgação, muitos indivíduos, embora instruídos, não estão livres da fascinação. Alguns, por confiarem excessivamente no seu pretenso saber, tornam-se instrumentos de Espíritos fascinadores e passam a divulgar, através de livros ou palestras, conceitos antidoutrinários nocivos à fé (raciocinada) espírita. Adotam e divulgam uma série de “ensinos” sem qualquer fundamentação doutrinária e um discurso místico-esotérico a qual chamam de “universalismo“, sendo que, quando tais “ensinos” são comparados, nota-se não haver qualquer concordância e que cada um de seus representantes diz uma coisa, baseados que estão unicamente em suas férteis imaginações e arroubos místicos.

Crianças índigo, planeta chupão, apometria, poder curador de cristais e objetos materiais, profecias mirabolantes e aterrorizantes, milagres, intraterrestres, ETs que implantam chips na cabeça dos outros, terapias exóticas e milagreiras, 4ª e 5ª dimensões que a tudo explicam, astrologia, rituais e maneirismos… Enfim, é possível listarmos aqui centenas de fantasias, conceitos e noções que não encontram o menor respaldo, nem doutrinário, nem científico, e que só afastam o indivíduo da realidade, alienando-o e expondo-o a uma posição ridícula, levando de roldão a própria Doutrina Espírita perante a opinião pública.

Infelizmente, isso tudo é conduzido por espíritos perversos, levianos e/ou pseudo-sábios, que estimulam tais fantasias de modo a atrasar o progresso do humanidade e de seus ingênuos adeptos, fazendo-se valer de indivíduos incautos, de mente imaginosa e que carecem de aprofundamento e estudo das questões mais básicas do conhecimento, tanto do ponto-de-vista humano quanto espiritual.

São pessoas que ainda atrelam as questões do espírito ao maravilhoso, ao sobrenatural, ao milagreiro, ao aterrador, ao fantástico, esquecendo-se da razão, da racionalidade e da necessidade de tudo aferir para que então se possa, enfim, acreditar. Em tudo crêem, bastando que esteja um médium, um espírito ou algo que o valha a ditar alguma tolice sem sentido – desde que recheada de palavras bonitas e pomposas – para que sejam imediatamente aceitas como reflexo da Verdade e da mais pura “revelação” espiritual..

Quando chamados à realidade, vociferam, alegando terem a liberdade de pensarem como quiserem e que não se encontram “presos” a nenhuma “ortodoxia”, não se importando que levam, de roldão, dezenas de outras consciências ao abismo de seus devaneios místicos, com que se aferram, julgando-se “especiais”, “escolhidos”…

A Fascinação nos Grupos Espíritas

Allan Kardec alerta para outro grave perigo: o da fascinação de grupos espíritas. Iniciantes afoitos e inexperientes podem cair vítimas de Espíritos mistificadores e embusteiros que se comprazem em exercer domínio intelectual sob todos aqueles que lhes dão ouvidos, manifestando-se algumas vezes como guias, missionários, e até como Espíritos de outra natureza, advindos de algum planeta ou galáxia distante. O mesmo pode ocorrer com grupos experientes que se julguem maduros o suficiente. O orgulho e o sentimento de superioridade é a porta larga para a entrada dos Espíritos fascinadores. Portanto, deve-se tomar todo o cuidado quando na direção de centros espíritas e das sessões de atividades mediúnicas. Os dirigentes são alvos preferidos dos Espíritos hipócritas que, dominando-os, podem mais facilmente dominar o grupo.

Preocupado com tais descaminhos, o espírito Vianna de Carvalho ditou a seguinte mensagem, intitulada “Esquisitices e Espiritismo“:

“Ressumam com frequência nos arraiais da prática mediúnica esdrúxulas superstições que tomam corpo, teimosamente, entre os adeptos menos esclarecidos do Espiritismo, grassando por descuido dos estudiosos, que preferem adotar uma posição dubidativa, à coerência doutrinária de que sobejas vezes deu mostras o insigne Codificador.

Pretendendo não se envolver no desagrado da ignorância que se desdobra sob a indumentária de fanatismos repetitivos, alguns espíritas sinceros, encarregados de esclarecer, consolar e instruir doutrinariamente o próximo, fazem-se tolerantes com erros lamentáveis, em detrimento da salutar propaganda da Doutrina de Jesus, ora atualizada pelos Espíritos Superiores. A pretexto de não contrariarem a petulância e o aventureirismo, cometem o nefando engano de compactuarem com o engodo, desconcertando as paisagens da fé e, sem dúvida, conspurcando os postulados kardecistas, que pareceriam aceitar esses apêndices viciosos e jargões deturpadores como informações doutrinárias. (…)

De uma lado, é a ausência de estudo sistemático, de autodidatismo espíritico, haurido na Codificação, de atualização doutrinária em face das conquistas do moderno pensamento filosófico e tecnológico; doutro, é o desamor com que muitos confrades, após se adentrarem no conhecimento imortalista, mantêm atitude de indiferença, resguardando a própria comodidade, por egoísmo, recusando-se a experimentar problemas e tarefas, caso se empenhassem na correta difusão e no eficiente esclarecimento espírita; ainda por outra circunstância, é a falsa supervalorização que se atribuem muitos, preferindo a distância, como se a função de quem conhece não fosse a de elucidar os que jazem na incipiência ou na sombra das tentativas infelizes; e, normalmente, é porque diversos preferem a falsa estima em que se projetam ilusoriamente a desfavor do aplauso da consciência reta e do labor retamente realizado…

…E surgem esquisitices que recebem as manchetes do sensacionalismo da Imprensa mais interessados na divulgação infeliz que atrai clientes, do que na informação segura que serve como luzes do esclarecimento eficiente.

Médiuns e médiuns pululam nos diversos campos da propaganda, autopromovendo-se, mediante ridículos conciliábulos como ‘status’ de fantasias vigentes no báratro em que se converteu a Terra, sem aferição de valores autênticos, com raras exceções, conduzindo, quase sempre, a deplorável vulgaridade a nobre Mensagem dos Céus, assim chafurdando levianamente nos vícios que incorrem. Fazem-se instrumentos de visões extravagantes e dizem-se dialogando com anjos e santos desocupados, quando não se utilizando, ousadamente, dos venerandos nomes de Cristo e Maria, dos Apóstolos e dos eminentes sábios e filósofos do passado, que retornam com expressões da excentricidade, abordando temas de somenos importância em linguagem chã, com despautérios, em desrespeito pelas regras elementares da lógica e da gramática, na forma em que se apresentam. Parecia que a desencarnação os depreciara, fazendo-os perder a lucidez, o patrimônio moral-intelectual conseguido nos longos sacrifícios em que se empenharam arduamente. Prognosticam, proféticos, os fins dos tempos chegados e, imaginosos, recorrem ao pavor e à linguagem empolada, repetindo as proezas confusas de videntes do pretérito, atormentados que são, a seu turno, no presente.

Utilizando-se das informações honestas da Ciência, passam à elaboração de informes fantásticos, fomentando débeis vagidos de ‘ciência-ficção’, entregando-se a debates e provas inexpressivas retiradas de lacônicos telegramas de agências noticiosas, com que esperam positivar seus informes sobre a vida em tais ou quais condições, nesse ou naquele Planeta do Sistema Solar, ou noutra galáxia que se lhe torne simpática, como se a Doutrina já não o houvera oportunamente conceituado com segurança a questão, à Ciência competindo o labor de trazer a sua própria afirmação, sem incorrerem os espiritistas no perigo do ridículo desnecessário… (Veja nosso artigo sobre o tema aqui).

Outras vezes entregam-se à atualização de antigas crendices e feitiços, enredando os neófitos em mancomunações com Entidades infelizes ainda anestesiadas pelos tóxicos de última reencarnação, vinculadas às impressões do que acreditavam e se demoram cultuando…

Receitam práticas estranhas e confusas, perturbando as mentes que se encontram em plena infância da cultura como da experiência superior, tornando-se chefes e condutores cegos que são, conduzindo outros cegos, conforme a lição evangélica, terminando por caírem todos no mesmo abismo…

O Espiritismo é simples e fácil como a verdade quando penetrada.

Deixá-lo padecer a leviana aventura de pessoas irresponsáveis, ingênuas ou malévolas, é gravame de que não se poderão eximir os legítimos adeptos da Terceira Revelação.

(…)Cabem, frequentemente, sempre que possíveis, as honestas informações entre Doutrina Espírita e Doutrinas Espiritualistas, prática espírita e práticas mediúnicas, opinião espírita e opiniões medianímicas, calcadas na Codificação Kardequiana, que delineou, aliás, com muita propriedade, as características do Espiritismo, conforme se lê na Introdução de ‘O Livro dos Espíritos’, estando presente em todo o Pentateuco, que desdobra os postulados mestres em incomparáveis estudos de perfeita atualidade, a resistirem a todas as investidas da razão, da técnica e da fé contemporâneas”.

Questão de Coerência

Como já pudemos constatar em vários artigos, não só o Codificador e os Espíritos ligados diretamente à Codificação se preocupavam com os rumos do movimento Espírita e a nefasta tendência das ideias demasiado heterodoxas e suas infiltrações no Movimento Espírita, mas também outras entidades espirituais têm atualmente evidenciado grande preocupação com a invasão de práticas e conceitos estranhos advindos do Orientalismo e do Africanismo, que são respeitáveis, mas que não coadunam com os ensinamentos espíritas.

Portanto, estudemos, pois, a Doutrina Espírita, e atentemos para os desvios que sorrateiramente encarnados e desencarnados propõem de maneira leviana e até irresponsável, para que, amanhã, não caiamos nós nas teias e descaminhos da fascinação.

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Vianna de Carvalho (espírito) e a Proposta Eclético-Orientalista outubro 28, 2008

Posted by arturf in crendices, cristais, esoterismo, hinduísmo, incensos, meditação transcendental, Orientalismo, superstições, Vianna de Carvalho.
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Vianna de Carvalho foi o mais importante personagem do Movimento Espírita do Estado do Ceará e um dos mais importantes da história do Movimento Espírita Brasileiro.

Defensor intransigente da Doutrina Espírita e sempre atento aos ataques por ela sofrida por parte de seus detratores, Vianna de Carvalho permanece alerta aos rumos do Movimento Espírita “do lado de lá”.

No que concerne à proposta de inserção de práticas orientalistas nas casas espíritas, o espírito Vianna de Carvalho se coloca firmemente contrário:

“E hoje, quando o Espiritismo sensibiliza milhões de vidas, o seu Movimento parece deperecer, perdendo em qualidade o que adquire em quantidade.

Adeptos precipitados tentam enxertar conceitos supersticiosos no organismo impoluto da Doutrina que dispensa apêndices, permanecendo ideal conforme nos foi legada por Allan Kardec.

A invigilância de alguns simpatizantes procura adaptar crenças ultramontanas ao texto doutrinário, para acomodar interesses imediatos e vazios, por falta de coragem para arrostar as consequências da fé na sua legitimidade.

O Espiritismo sobrepõe-se-lhes, porque nenhum exotismo pode fazer parte do seu contexto.

Teimam introduzir no seu conteúdo superior práticas que, embora respeitáveis, são do Orientalismo, não se coadunando com a tecedura de verdade de que Allan Kardec se fez intermediário consciente.

Cabe, desse modo, ao Espírita tolerar, mas não ser conivente; respeitar, mas não concordar com as tentativas de intromissão de seitas, de práticas, de crendices e superstições que fizeram a glória nas gerações passadas, poupando a Doutrina Espírita desse vandalismo injustificável, ao mesmo tempo convidando todos a uma releitura das suas bases, em confronto com os avanços do conhecimento hodierno, para que se reafirme a indestrutibilidade dos seus ensinamentos, confirmados, a cada momento, pelas conquistas da razão, da tecnologia e da ciência.

O Espiritismo é a Doutrina que vem de Jesus através dos imortais, codificada pelo pensamento ímpar de ALLAN KARDEC, para assinalar a era do espírito imortal e permanecer traçando diretrizes para as gerações futuras que nos cumpre, desde agora, preservar através de uma conduta saudável, impoluta e compatível com os postulados que fulguram nesse colosso que é o Espiritismo, a Doutrina libertadora dos novos tempos.”

Como alguns exemplos de práticas orientalistas e ecletistas dentro das Casas Espíritas, podemos citar: uso de terminologia estranha ao Espiritismo, principalmente originária do hinduísmo (karma, dharma, mundo astral, corpos astrais, etc.); mantras e meditação transcendental; separação do salão da palestra em “lado dos homens” e “lado das mulheres“; uso de símbolos, amuletos e talismãs próprios do esoterismo (cristais, pedras, incensos, etc.) ditos capazes de atrair “boas energias”; terapias exóticas; exaltação a gurus; estímulo ostensivo ao vegetarianismo, etc.

Em outra mensagem, intitulada “Centro Espírita”, Vianna de Carvalho discorre como deve ser um Centro Espírita e suas atividades:

“Lugar de reequilíbrio e de harmonia, é, também, hospital de almas no qual terapias especializadas—passes água fluidificada (bioenergia), oração, desobsessão e iluminação de consciência, facultem a saúde do corpo, da mente e do espírito, emulando o paciente ao avanço, à vitória sobre si mesmo, sobre as paixões primitivas, que nele predominam.

Não pode ser confundido, porém, com Nosocômios, Casas de Saúde, Clínicas Médicas e semelhantes, competindo com as mesmas, portadoras de bases acadêmicas, pois que desvirtuaria a sua finalidade essencial passando a conflitar com as Entidades especializadas no mister, as quais deve auxiliar e não produzir perturbação.

No seu ambiente não há lugar para exibicionismo de natureza alguma que faça recordar os palcos do mundo, nos quais se projetam os conflitos do ego humano e as lutas características das naturais promoções competitivas do ser.

Tampouco, pode agasalhar ou dar curso às inovações que ressumam do orientalismo ancestral ou das terapias alternativas atuais, desfigurando-lhe, entorpecendo-lhe a finalidade superior.”

Vianna de Carvalho fala sobre as previsões aterradoras do “fim dos tempos”

Em 14 de abril de 1996, em Quarteira, Portugal, Vianna de Carvalho comenta sobre as famosas previsões aterrorizadoras de fim dos tempos, em mensagem intitulada “Revelações Inconsequentes“:

“Em uma doutrina portadora de constituição elevada e sólida, sem brechas para o aventureirismo ou para o mercantilismo adivinhatório, somente se equivoca aquele que prefere manter-se à margem dos seus ensinamentos, que são claros como a luz que esbate a treva, ou que prefere o engodo à verdade, a fantasia à realidade, vivendo o período infantil do pensamento, irresponsável, portanto, ante os desafios existenciais para decifrar-se e avançar com segurança no rumo do destino traçado que tem à frente.

Não obstante, grassam em abundância, e multiplicam-se férteis, informações destituídas de veracidade, como aliás do agrado das pessoas acostumadas ao ludíbrio, às vaidades e exaltações do ego, que somente prejudicam, contribuindo para o aumento da ignorância e leviandade em torno dos assuntos relevantes da Humanidade.

Pseudo médiuns ou medianeiros em desequilíbrio, assessorados por Espíritos levianos que se comprazem em mantê-los no ridículo, amiúde apresentam-se como reveladores, e o são inconseqüentes, ludibriando a boa-fé dos incautos ou incensando os orgulhosos com bombásticas informações em torno do seu passado, com promessas mirabolantes sobre o seu futuro, ou ainda, como emissários de Embaixadores Celestes para evitarem calamidades, alterarem acontecimentos, assumindo posturas de semi-deuses, que deslumbram os fascinados e se tornam condutores dos grupos humanos.

Os Espíritos Nobres não têm qualquer interesse em revelações em torno de personalidades de ontem ou de hoje, evitando a abordagem em torno do que hajam sido, trabalhando em favor do presente, do qual se origina o futuro, que é a grande meta.

Não tem nenhum sentido a busca de informações em torno do passado espiritual, particularmente se se anela por haver sido rei ou príncipe, nobre ou burguês, sábio, guerreiro ilustre, papa ou outra qualquer personagem importante, que em algum momento esteve presente na História.

A Lei é de progresso, portanto, evidente que se é sempre melhor do que aquilo que se haja sido, não se devendo preocupar com cargos e homenagens do pretérito, agora mortos, e cuja evocação somente levaria à presunção, à ociosidade dourada ou à lamentação.

Outrossim, proliferam outras revelações trágicas em torno do fim dos tempos, das tragédias que irão ocorrer, como se não fossem elas do cotidiano, variando de expressão e de lugar, todas igualmente parte integrante do processo evolutivo de um planeta inferior, que avança para outro degrau na escala dos mundos.

O homem encontra-se reencarnado para aproveitar a oportunidade de reparação e aquisição de valores que lhe faltam na economia intelecto-moral, não para repetir experiências infelizes com novos fracassos ou para cultuar memórias extravagantes e fantasiosas, que em nada contribuem para a sua evolução. Cumpre, portanto, precatar-se todo aquele que se interesse pelo Espiritismo, com revelações inconseqüentes, estudando a Doutrina e praticando-a com segurança, lançando o pensamento para a frente e para cima, na certeza de que cada um é o que de si próprio faz. O fato de haver alguém vivido em área de destaque não significa ser Espírito feliz, antes comprometido com as graves responsabilidades que nem sempre soube honrar e que agora defronta para corrigir.

A meta que todos devemos perseguir é aquela que conduz à auto-realização, utilizando-nos do serviço de dignificação da vida e das criaturas em cujo grupo nos encontramos, encarnados ou não, porém, unidos no mesmo ideal de edificação de um mundo melhor para todos, longe do sofrimento, da ilusão, da ignorância, sempre responsável pelo mal que viceja em nós e nos retém na retaguarda de onde procedemos.”

Vianna de Carvalho (espírito) e a Proposta Eclético-Orientalista outubro 28, 2008

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Vianna de Carvalho foi o mais importante personagem do Movimento Espírita do Estado do Ceará e um dos mais importantes da história do Movimento Espírita Brasileiro.

Defensor intransigente da Doutrina Espírita e sempre atento aos ataques por ela sofrida por parte de seus detratores, Vianna de Carvalho permanece alerta aos rumos do Movimento Espírita “do lado de lá”.

No que concerne à proposta de inserção de práticas orientalistas nas casas espíritas, o espírito Vianna de Carvalho se coloca firmemente contrário:

“E hoje, quando o Espiritismo sensibiliza milhões de vidas, o seu Movimento parece deperecer, perdendo em qualidade o que adquire em quantidade.

Adeptos precipitados tentam enxertar conceitos supersticiosos no organismo impoluto da Doutrina que dispensa apêndices, permanecendo ideal conforme nos foi legada por Allan Kardec.

A invigilância de alguns simpatizantes procura adaptar crenças ultramontanas ao texto doutrinário, para acomodar interesses imediatos e vazios, por falta de coragem para arrostar as consequências da fé na sua legitimidade.

O Espiritismo sobrepõe-se-lhes, porque nenhum exotismo pode fazer parte do seu contexto.

Teimam introduzir no seu conteúdo superior práticas que, embora respeitáveis, são do Orientalismo, não se coadunando com a tecedura de verdade de que Allan Kardec se fez intermediário consciente.

Cabe, desse modo, ao Espírita tolerar, mas não ser conivente; respeitar, mas não concordar com as tentativas de intromissão de seitas, de práticas, de crendices e superstições que fizeram a glória nas gerações passadas, poupando a Doutrina Espírita desse vandalismo injustificável, ao mesmo tempo convidando todos a uma releitura das suas bases, em confronto com os avanços do conhecimento hodierno, para que se reafirme a indestrutibilidade dos seus ensinamentos, confirmados, a cada momento, pelas conquistas da razão, da tecnologia e da ciência.

O Espiritismo é a Doutrina que vem de Jesus através dos imortais, codificada pelo pensamento ímpar de ALLAN KARDEC, para assinalar a era do espírito imortal e permanecer traçando diretrizes para as gerações futuras que nos cumpre, desde agora, preservar através de uma conduta saudável, impoluta e compatível com os postulados que fulguram nesse colosso que é o Espiritismo, a Doutrina libertadora dos novos tempos.”

Como alguns exemplos de práticas orientalistas e ecletistas dentro das Casas Espíritas, podemos citar: uso de terminologia estranha ao Espiritismo, principalmente originária do hinduísmo (karma, dharma, mundo astral, corpos astrais, etc.); mantras e meditação transcendental; separação do salão da palestra em “lado dos homens” e “lado das mulheres“; uso de símbolos, amuletos e talismãs próprios do esoterismo (cristais, pedras, incensos, etc.) ditos capazes de atrair “boas energias”; terapias exóticas; exaltação a gurus; estímulo ostensivo ao vegetarianismo, etc.

Em outra mensagem, intitulada “Centro Espírita”, Vianna de Carvalho discorre como deve ser um Centro Espírita e suas atividades:

“Lugar de reequilíbrio e de harmonia, é, também, hospital de almas no qual terapias especializadas—passes água fluidificada (bioenergia), oração, desobsessão e iluminação de consciência, facultem a saúde do corpo, da mente e do espírito, emulando o paciente ao avanço, à vitória sobre si mesmo, sobre as paixões primitivas, que nele predominam.

Não pode ser confundido, porém, com Nosocômios, Casas de Saúde, Clínicas Médicas e semelhantes, competindo com as mesmas, portadoras de bases acadêmicas, pois que desvirtuaria a sua finalidade essencial passando a conflitar com as Entidades especializadas no mister, as quais deve auxiliar e não produzir perturbação.

No seu ambiente não há lugar para exibicionismo de natureza alguma que faça recordar os palcos do mundo, nos quais se projetam os conflitos do ego humano e as lutas características das naturais promoções competitivas do ser.

Tampouco, pode agasalhar ou dar curso às inovações que ressumam do orientalismo ancestral ou das terapias alternativas atuais, desfigurando-lhe, entorpecendo-lhe a finalidade superior.”

Vianna de Carvalho fala sobre as previsões aterradoras do “fim dos tempos”

Em 14 de abril de 1996, em Quarteira, Portugal, Vianna de Carvalho comenta sobre as famosas previsões aterrorizadoras de fim dos tempos, em mensagem intitulada “Revelações Inconsequentes“:

“Em uma doutrina portadora de constituição elevada e sólida, sem brechas para o aventureirismo ou para o mercantilismo adivinhatório, somente se equivoca aquele que prefere manter-se à margem dos seus ensinamentos, que são claros como a luz que esbate a treva, ou que prefere o engodo à verdade, a fantasia à realidade, vivendo o período infantil do pensamento, irresponsável, portanto, ante os desafios existenciais para decifrar-se e avançar com segurança no rumo do destino traçado que tem à frente.

Não obstante, grassam em abundância, e multiplicam-se férteis, informações destituídas de veracidade, como aliás do agrado das pessoas acostumadas ao ludíbrio, às vaidades e exaltações do ego, que somente prejudicam, contribuindo para o aumento da ignorância e leviandade em torno dos assuntos relevantes da Humanidade.

Pseudo médiuns ou medianeiros em desequilíbrio, assessorados por Espíritos levianos que se comprazem em mantê-los no ridículo, amiúde apresentam-se como reveladores, e o são inconseqüentes, ludibriando a boa-fé dos incautos ou incensando os orgulhosos com bombásticas informações em torno do seu passado, com promessas mirabolantes sobre o seu futuro, ou ainda, como emissários de Embaixadores Celestes para evitarem calamidades, alterarem acontecimentos, assumindo posturas de semi-deuses, que deslumbram os fascinados e se tornam condutores dos grupos humanos.

Os Espíritos Nobres não têm qualquer interesse em revelações em torno de personalidades de ontem ou de hoje, evitando a abordagem em torno do que hajam sido, trabalhando em favor do presente, do qual se origina o futuro, que é a grande meta.

Não tem nenhum sentido a busca de informações em torno do passado espiritual, particularmente se se anela por haver sido rei ou príncipe, nobre ou burguês, sábio, guerreiro ilustre, papa ou outra qualquer personagem importante, que em algum momento esteve presente na História.

A Lei é de progresso, portanto, evidente que se é sempre melhor do que aquilo que se haja sido, não se devendo preocupar com cargos e homenagens do pretérito, agora mortos, e cuja evocação somente levaria à presunção, à ociosidade dourada ou à lamentação.

Outrossim, proliferam outras revelações trágicas em torno do fim dos tempos, das tragédias que irão ocorrer, como se não fossem elas do cotidiano, variando de expressão e de lugar, todas igualmente parte integrante do processo evolutivo de um planeta inferior, que avança para outro degrau na escala dos mundos.

O homem encontra-se reencarnado para aproveitar a oportunidade de reparação e aquisição de valores que lhe faltam na economia intelecto-moral, não para repetir experiências infelizes com novos fracassos ou para cultuar memórias extravagantes e fantasiosas, que em nada contribuem para a sua evolução. Cumpre, portanto, precatar-se todo aquele que se interesse pelo Espiritismo, com revelações inconseqüentes, estudando a Doutrina e praticando-a com segurança, lançando o pensamento para a frente e para cima, na certeza de que cada um é o que de si próprio faz. O fato de haver alguém vivido em área de destaque não significa ser Espírito feliz, antes comprometido com as graves responsabilidades que nem sempre soube honrar e que agora defronta para corrigir.

A meta que todos devemos perseguir é aquela que conduz à auto-realização, utilizando-nos do serviço de dignificação da vida e das criaturas em cujo grupo nos encontramos, encarnados ou não, porém, unidos no mesmo ideal de edificação de um mundo melhor para todos, longe do sofrimento, da ilusão, da ignorância, sempre responsável pelo mal que viceja em nós e nos retém na retaguarda de onde procedemos.”