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Os Cavalos de Troia do Espiritismo maio 24, 2010

Posted by arturf in Cavalo de Troia, Emmanuel, Marte, Os Quatro Evangelhos, Roustaing.
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Segundo conta a lenda, os troianos acreditaram que um grande cavalo de madeira teria sido dado a eles de presente pelo exército grego como sinal de rendição após uma longa e sangrenta guerra. No entanto, tudo não passou de uma grande ideia de Odisseu, um sagaz guerreiro, que pensou numa maneira de entrar em Troia sem despertar a desconfiança dos inimigos troianos. Recebido com festa e júbilo, o grande cavalo na verdade abrigava dezenas de soldados em seu interior, que, já bem tarde da noite, aproveitando-se do cansaço e da ressaca provocada pelos intensos festejos troianos, saíram de seu esconderijo, abriram os portões da cidade aos outros milhares de soldados escondidos do lado de fora que tomaram a cidade, logo após saqueando-a e incendiando-a.

Pois bem, nada muito diferente desta conhecida história tem ocorrido com o Movimento Espírita praticamente desde que o Espiritismo deu, na França, seus primeiros passos.

Inicialmente, o Espiritismo teve de lutar contra seus inimigos externos: os materialistas, os chefes da Igreja, e os céticos em geral, todos interessados em destruí-lo, ou por vê-lo como uma ameaça aos seus interesses de domínio e poder, ou por mero escárnio e aversão à reforma ético-moral que a mensagem espírita trazia, desde o princípio, em sua filosofia.

No entanto, a maior luta que o Espiritismo teve e tem travado tem sido contra seus inimigos internos, ou seja, aqueles que dizem ocupar suas fileiras, mas que, na verdade, tais quais os gregos, nada mais intentam, conscientemente ou não, que destruí-lo.

O Primeiro de Todos

O primeiro cavalo de troia inoculado, tal qual um vírus letal, em nosso meio, foram as ideias docetistas, ressuscitadas por um certo advogado bordelense chamado J.-B. Roustaing com a colaboração de uma (única) médium chamada Emillie Collignon, que pensaram poder solapar a obra kardequiana de uma só vez através de ditados mediúnicos supostamente advindos dos evangelistas Mateus, Marcos, João e Lucas, sob a também suposta coordenação do Espírito Moisés.

De posse de tais suspeitas comunicações, eivadas de erros crassos e ideias absurdas, de forte influência do pensamento católico, Roustaing compilou a obra “Os Quatro Evangelhos – Espiritismo Cristão, ou Revelação da Revelação”, que publicou em 1866, a qual foi imediatamente contestada por Allan Kardec. Com a negativa de Kardec de aceitar prontamente o inteiro teor da referida obra, Roustaing e seus partidários duramente atacaram o Codificador nas páginas suprimidas do prefácio de “Os Quatro Evangelhos”, de 1920, com ironia e desdém, acusando o codificador de ser o “chefe”, o “mestre” de uma “igrejinha com seus corrilhos, entregue a lutas liliputianas”. Ficava, pois, evidente, conforme muito claramente explica Sérgio Aleixo em sua obra “O Primado de Kardec“, “… a patente rivalidade, a exagerada conta em que Roustaing e seus discípulos tinham sua própria “escola”, supostamente tão superior à de Kardec a ponto de poder substituí-la. Àquela época, o cisma rustenista era confesso. Proclamavam: “Cismas há atualmente; ninguém tem o poder de impedi-los”.

Nos dias de hoje, as ideias rustenistas, apesar da pouca vendagem e penetração de sua supra-citada obra basilar, estão presentes em obras editadas pela FEB – Federação Espírita Brasileira, tais como os best-sellers “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho“, “O Consolador” e “Voltei”, além de outras menos conhecidas, porém não menos perigosas “obras-primas” do pensamento neo-docetista, como “Elucidações Evangélicas”, “Elos Doutrinários”, “A Vida de Jesus”, “O Cristo de Deus”, entre outras.

O conjunto de teses antidoutrinárias defendidas pelo roustainguismo (ou rustenismo) incluem, por exemplo:

1– A crença que Jesus teria revestido um corpo fluídico e nascido de uma virgem, tornada grávida apenas aparentemente;
2– A defesa da metempsicose, i.é, que o espírito possa reencarnar na condição de animal, mais especificamente como “larvas informes” e chamadas “criptógamos carnudos”, “uma massa quase inerte, de matérias moles e pouco agregadas, que rasteja ou antes desliza, tendo os membros, por assim dizer, em estado latente”. (Os Quatro Evangelhos, 1.º vol., n. 57 a n. 59, p. 307-313.);
3– A antidoutrinária tese de que “a encarnação humana não é uma necessidade, é um castigo; […] em princípio, é apenas consequente à primeira falta, àquela que deu causa à queda”. (Os Quatro Evangelhos, 1.º vol., n. 59, p. 317 e 324.)

O Ramatisismo

Não muito diferentemente da estratégia rustenista, o Ramatisismo trouxe antigas ideias do antigo espiritualismo oriental travestidas de novidades, desta feita explorando a tendência místico-esotérica, em lugar das teses do Catolicismo Romano e de seitas cristãs dos primeiros séculos depois de Cristo defendidas por Roustaing e seus adeptos.

Igualmente valendo-se de um único médium, o advogado e contador curitibano Hercílio Maes, de formação teosofista, o espírito Ramatis que, segundo alguns, aparece vestindo um turbante com uma esmeralda e uma túnica ao estilo hindú, defende um certo “universalismo eclético”, capaz, segundo ele, de enriquecer o corpo doutrinário espírita. Alegando ter fundado santuários iniciáticos no século X na China e na Índia, teria desencarnado ainda moço. Alega também ter tido posições de destaque na mitológica Atlântida, no antigo Egito e na Grécia, além de ter convivido com Jesus e Kardec. Com base nessa suposta ligação com o primeiro, ditou o livro “O Sublime Peregrino”, com o qual intenta descrever detalhes da passagem do Cristo pelo planeta, na tentativa de passar ao leitor autoridade e conhecimento. Seguindo a mesma estratégia de convencimento, dita ainda a obra “A Vida no Planeta Marte e os Discos Voadores”, que passa a ser coqueluche nos idos de 1950, justamente quando surgem os primeiros filmes sobre ETs e vida em outros planetas. Seu minucioso relato sobre a vida e a topografia marcianas, no entanto, sofre duro abalo, já que, anos depois, sondas não-tripuladas chegam ao planeta e descrevem uma paisagem inteiramente diferente àquela constante da referida obra.

Embora não se auto-intitule “espírita”, Ramatis procura incutir ao leitor a noção de que se encontra acima daquilo que chama de “rótulos” e “convenções humanas”, ao mesmo tempo que seus ditados, estranhamente, se destinam quase que exclusivamente ao leitor espírita. Ousadamente, Ramatis chega a afirmar que o Espiritismo naufragará, caso seus adeptos relutem em aceitar os elevados princípios e ensinos do espiritualismo oriental. Por conta disso, os centros ramatisistas, boa parte ostentando o nome “espírita” em suas fachadas, veiculam conceitos e práticas estranhas ao Espiritismo, embora digam seguir Kardec, além de Jesus e, claro, o próprio Ramatis, alçado à condição de última palavra em termos de revelação espiritual.

Onde está a concordância?

Aprendemos em “O Livro dos Médiuns” que os Espíritos Superiores jamais se contradizem. Levando-se em conta tal premissa, logo chegamos à conclusão que, entre Roustaing e Ramatis, pelo menos um deles está errado, já que essas duas “escolas” defendem princípios completamente divergentes entre si. Ramatis, inclusive, chega a afirmar que a principal tese rustenista, a do corpo fluídico de Jesus, “é ainda um reflexo dos efeitos seculares adstritos aos dogmas, milagres, mitos e tabus copiados da vida de diversos precursores de Jesus” (O Sublime Peregrino, Cap. VII, A natureza do Corpo de Jesus). Não obstante, lança sua própria tese de que Jesus fora discípulo dos essênios, tendo aprendido com eles, e que, ao mesmo tempo, foi médium do Cristo, “uma entidade espiritual arcangélica”, algo que, em momento algum, encontramos em Roustaing.

Portanto, vemos aí uma batalha ideológica entre espíritos unicamente interessados em fazerem prevalecer suas ideias e opiniões isoladas, com as quais acabam por provocar a cizânia, a divisão e a desinteligência nas fileiras espíritas que, teoricamente, deveriam manter-se fiéis, por mera questão de coerência, ao Espiritismo e à Codificação Espírita, conjunto de obras que passaram pelo crivo da universalidade e concordância, além de terem sido supervisionadas pelo insígne e autêntico missionário Allan Kardec, cujas credenciais todos conhecemos e das quais possuímos inúmeros exemplos positivos e factuais.

Conclusão

Muitos indagam como podem os Espíritos Superiores, ou mesmo Deus, permitirem que certos espíritos, encarnados e desencarnados, alcancem (parcial) sucesso em suas empreitadas, com as quais enganam a tantos. A resposta também encontramos na Codificação, repositório de múltiplos alertas a respeito da ação dos espíritos pseudossábios e mistificadores que pululam na atmosfera espiritual terrena:

P.:(…)”Mas como os Espíritos elevados permitem a Espíritos de baixa classe usarem nomes respeitáveis para semear o erro através de máximas muitas vezes perversas?”

R.: — “Não é com a sua permissão que o fazem. Isso não acontece também entre vós? Os que assim enganam serão punidos, ficai certos disso, e a punição será proporcional à gravidade da impostura.

— Aliás, se não fosseis imperfeitos só teríeis Espíritos bons ao vosso redor. Se sois enganados, não o deveis senão a vós mesmos. Deus o permite para provar a vossa perseverança e o vosso discernimento, para vos ensinar a distinguir a verdade do erro. Se não o fazeis é porque não estais suficientemente elevados e necessitais ainda das lições da experiência.”

Outros tantos também se confundem por encontrarem boas coisas nos ditados desses espíritos. Tal questão é também esclarecida na Codificação:

P.: 11. As comunicações espíritas ridículas são às vezes entremeadas de boas máximas. Como resolver essa anomalia, que parece indicar a presença simultânea de Espíritos bons e maus?

Os Espíritos maus ou levianos se metem também a sentenciar, mas sem perceberem bem o alcance ou a significação do que dizem. Todos os que o fazem entre vós são homens superiores? Não, os Espíritos bons e maus não se misturam. É pela constante uniformidade das boas comunicações que reconhecereis a presença dos Espíritos bons.”

É bom que ressaltemos que nem sempre tais espíritos estão de má-fé:

P.: 12. Os Espíritos que induzem ao erro estão sempre conscientes do que fazem?

— “Não. Há Espíritos bons, mas ignorantes; podem enganar-se de boa fé. Quando tomam consciência da sua falta de capacidade eles a reconhecem e só dizem o que sabem.”

Foi, no entanto, o Espírito Erasto que nos trouxe o alerta mais direto sobre a ação dessa classe de espíritos em 1862, na cidade de Bordéus (onde residia Roustaing), Paris, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, apontando os “falsos profetas da erraticidade”, ou seja, “Espíritos orgulhosos que, aparentando amor e caridade, semeiam a desunião e retardam a obra de emancipação da Humanidade, lançando-lhe através seus sistemas absurdos, depois de terem feito que seus médiuns os aceitem. E, para melhor fascinarem aqueles a quem desejam iludir, para darem mais peso às suas teorias, se apropriam, sem escrúpulos, de nomes que só com muito respeito os homens pronunciam.

São eles que espalham o fermento dos antagonismos entre os grupos; que os impelem a isolarem-se uns dos outros, a olharem-se com prevenção. Isso, por si só, bastaria para os desmascarar, pois, procedendo assim, são os primeiros a dar o mais formal desmentido às suas pretensões. Cegos, portanto, são os homens que se deixam cair em tão grosseiro embuste…”

E conclui o sábio Espírito, dizendo:

“- É incontestável que, submetendo ao crivo da razão,da lógica todos os dados e todas as comunicações dos espíritos, fácil se torna rejeitar a absurdidade e o erro. Pode um médium ser fascinado, pode um grupo ser iludido; mas, a verificação severa a que procedam os outros grupos, a ciência adquirida, a elevada autoridade moral dos diretores de grupos, as comunicações que os principais médiuns venham a receber, com um cunho de lógica e de autenticidade dos melhores Espíritos, rapidamente condenarão esses ditados mentirosos e astuciosos, que emanam de uma turba de Espíritos mistificadores ou maus”. (“O Evangelho segundo o Espiritismo”,Cap.XXI,itens X,l)

E, por fim, perguntamos a todos: onde estão os falsos profetas da erraticidade, já que tudo quanto é ditado escrito por via mediúnica é aceito prontamente pelo Movimento Espírita como sendo advindo da Espiritualidade Superior, sem qualquer análise e critério, e logo encaminhadas para publicação? Por que a aceitação pura e simples de qualquer mensagem, sendo que sabemos que, no mundo dos espíritos, tanto os bons quanto os maus podem se comunicar?

Ou seguimos o critério kardequiano de análise das mensagens, seguido de um retorno à divulgação e estudo rigoroso e sério das obras da Codificação Espírita, ou então continuaremos a testemunhar a entrada dos cavalos-de-troia através de nossos muros, aproveitando-se da incúria e da ingenuidade de muitos que, mesmo sabendo do perigo iminente, fecham os olhos confiando unicamente naquilo que chamam de “providência divina”, esquecendo-se das responsabilidades a nós confiadas.

Cabe, pois, aos espíritas verdadeiros, cuidarem para que o Movimento Espírita não se desvie pelas sendas do erro e da divisão, tal qual aconteceu com o Cristianismo, hoje tornado uma autêntica colcha de retalhos. O Espiritismo é um só: aquele contido nas obras kardecianas, sem enxertias e adulterações, tal qual um todo monolítico e capaz de responder às mais graves questões espirituais por ainda muito, muito tempo.

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Rizzini descreve Ramatis, sem meias palavras janeiro 13, 2010

Posted by arturf in Marte, Rizzini.
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Jorge Toledo Rizzini (1924 – 2008), escritor consagrado, jornalista profissional, polemista dos melhores, desde cedo mostrou-se grande defensor dos postulados doutrinários e do Espiritismo bem estudado e entendido, além de detentor de elevadas aptidões mediúnicas em favor do Bem geral. São de sua autoria os excelentes “Escritores e Fantasmas“, “Materializações de Uberaba“, “Caso Arigó” e outros, escritos via mediúnica.

Amigo pessoal de José Herculano Pires e de Chico Xavier, não se furtou de comentar sobre o espírito Ramatis, que tanta confusão semeou e ainda semeia com seus livros repletos de informações desencontradas e fantasiosas, sem qualquer amparo na Ciência e na Doutrina Espírita.

Artigo: “RAMATIS E O PLANETA MARTE

A NAVE DE RAMATIS – QUE ESTÁ SEMPRE LOTADA DE ANALFABETOS ESPÍRITAS.

“O Espírito Ramatis sabe jogar com rara habilidade com fantasias e verdades. E, por não desprezar a verdade, conseguiu ludibriar até mesmo alguns que se julgavam conhecedores da Doutrina Espírita. Mas não é exatamente mau. O problema é que ele convulsiona o Movimento Espírita com suas fantasias, através de um estilo austero, professoral, às vezes dramático.

Sua palavra é a última sobre qualquer assunto. Não há pergunta que o deixe embaraçado, seja sobre química ou física nuclear, botânica ou astronomia, pintura ou medicina, etc. Mas, entre os temas de sua predileção um há que o deixa enternecido e sobre o qual chegou a escrever um livro com mais de quatrocentas páginas e que tem o sugestivo título de “A Vida no Planeta Marte” (e os Discos Voadores). A obra foi publicada em 1956, mas é atualíssima, pois os cientistas da Terra estão pesquisando aquele planeta.

Enquanto Ramatis, com seu estilo doutoral, com sua imaginação indomável, nos diz a respeito de Marte que:

– Já tem, aproximadamente,um bilhão e meio de habitantes;
– O Espírito reencarnante marciano vive no casulo materno sob condições análogas às terrenas;
– Estamos em relação aos marcianos, com relação a eletrônica, quatrocentos anos atrasados, e, moralmente, um milênio;
– Todos os sistemas religiosos do planeta são reencarnacionistas e entram em contato com os Espíritos desencarnados.

Estas e outras informações são de Ramatis, autor que fascinou os leitores e os fez sonhar com o planeta Marte. Sua capacidade de narrar é singular, e sua imaginação ardente, se não supera pelo menos se iguala a dos fantásticos criadores de estórias em quadrinhos. Impossível não realçar essas qualidades, que lhe granjearam, logo ao ser publicado o seu primeiro livro, os aplausos do público em geral e, particularmente, de milhares de espiritistas incautos, que nele viram uma sumidade do Além.

Ramatis é um espírito enfermo – trata-se, evidentemente, de um caso de megalomania, enfermidade mental. E não de maldade deliberada, já que suas mistificações, por estranho que pareça, sempre visam enlevar o público. Que a enfermidade atingiu o mais alto grau, não há dúvida, pois Ramatis se comove quando fala do Evangelho, como quando fala da “civilização marciana”. Ele mistura verdade e mentira na mesma emoção. Ao invés de recriminações, Ramatis merece compreensão e preces.

Os que merecem mesmo cuidados especiais são os “espíritas” que ainda estão radiantes com a leitura de livros de Ramatis. Esses sim são detentores de um potencial capaz de deturpar o Movimento Espírita.” (“Jornal Espírita”, São Paulo-SP, fevereiro de 1977).

"Férias" em Phobos e Deimos? fevereiro 14, 2009

Posted by arturf in astronáutica, astronomia, Deimos, Marte, Phobos, sondas.
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O querido leitor deve ter, logo de cara, estranhado o título do artigo, mas logo explicaremos do que se trata.

Antes de qualquer coisa, se faz necessário esclarecer que o Espiritismo aceita como plenamente possível a existência de vida em outros planetas. Não seria racional acreditar que Deus teria criado o Universo infinito para só aqui abrigar vida inteligente, neste diminuto e insignificante planeta chamado Terra. Hoje, a Ciência admite plenamente essa realidade, sendo que recentemente novos cálculos feitos por Duncan Forgan, um astrofísico da Universidade de Edimburgo, na Escócia, apontam para a existência de civilização em até quase 40 mil planetas só nas cercanias de nossa galáxia.

No entanto, nem a posição espírita, nem a posição da Ciência oficial, podem servir de justificativa ou mesmo prova para que se dê credibilidade total a qualquer relato dos espíritos neste sentido, ainda mais quando vêm acompanhados de detalhes e narrações bizarras que, nas mais das vezes, encontram-se repletas de erros e inexatidões.

Em “O Livro dos Espíritos”, os espíritos superiores de antemão alertam que os espíritos não nos vêm poupar dos trabalhos que nos competem, i.é, não revelam aquilo que cabe a nós, encarnados, através do esforço, descobrirmos por conta própria.

A Ciência Espírita, seguindo esse mesmo princípio, tem por objetivo o espírito, suas manifestações na Terra e suas relações com os homens. O Espiritismo estuda e pesquisa o mundo espiritual e não mundo materiais.

Segundo o astrônomo espírita Dulcídio Dibo, muitas comunicações sobre a vida em outros planetas contrariam os princípios metodológicos do Espiritismo, além de estarem opostas aos resultados das pesquisas astronômicas e científicas em geral. E deduziu o seguinte:

1 – Não são todas as comunicações dos espíritos (mesmo os conhecidos como astrônomos) que devem ser consideradas válidas;

2 – A pluralidade dos mundos habitados é corolário do princípio da reencarnação e vice-versa: é neste sentido que as informações dos espíritos interessam ao Espiritismo;

3 – O problema científico do esclarecimento da vida material em outros planetas não compete à Doutrina Filosófica Espírita, mas, sim, à Astronomia e, mais recentemente, à Astronáutica. Da mesma maneira, o problema da vida espiritual em outros planetas ou astros compete à Doutrina Filosófica Espírita;

4 – A pesquisa das condições dos ambientes ecológicos dos planetas e de seus possíveis habitantes pertence aos homens e não aos espíritos;

5 – Os espíritos podem e estão transmitindo as informações que quiserem; contudo, o Espiritismo deve aguardar as confirmações, ou não, da habitabilidade dos planetas pelas pesquisas científicas dos homens“.

Voltado ao título deste artigo, encontramos no livro de Ramatis “A Vida no Planeta Marte e os Discos…”, no capítulo XXVII, intitulado “Viagens Interplanetárias”, a afirmação por parte do citado espírito de que os marcianos costumam realizar viagens ao satélites naturais daquele planeta através de uma linha de vôo regular aos fins-de-semana. O “interessante” é que Ramatis cita a grandeza da civilização marciana, com suas enormes metrópoles e indústrias, o que só fariam sentido em existir em um planeta densamente povoado. No entanto, estudando sobre os satélites marcianos, verificamos que os mesmos são diminutos em tamanho: Phobos tem um diâmetro aproximado de 22km e Deimos não ultrapassa 11,5km. Assim sendo, uma quantidade extremamente pequena de marcianos poderia visitá-los sem acarretar um grande problema de falta de espaço. Além disso, Deimos e Phobos estão longe de ostentar uma forma esférica. Ao contrário, mostram grande discrepância entre seus respectivos eixos maiores e menores. O resultado disso é o estranho aspecto que apresentam e que faz lembrar duas gigantescas batatas deformadas. São também os corpos mais escuros do sistema solar, pois não refletem mais que 5% da luz solar. Baseado no próprio relato de Ramatis, os marcianos ingerem água. Pelo jeito, teriam de levar uma grande quantidade do líquido até os dois satélites, porque sequer há traços de enrugamento em suas superfícies, demonstrando, assim, jamais ter existido água por lá.

Verificamos, portanto, mais uma vez, que o espírito Ramatis, para passar uma idéia de superioridade espiritual, aventurou-se a falar daquilo que não sabia, não contando que, anos mais tarde, o homem teria condições de enviar sondas não-tripuladas e fotografar Marte e seus satélites, além de contar também com o avanço dos instrumentos óticos para observação.

Em resumo: os Espíritos não se manifestam para libertar o homem do estudo e das pesquisas, nem para lhe transmitirem, inteiramente pronta, nenhuma ciência. Com relação ao que o homem pode achar por si mesmo, os espíritos o deixam entregue às suas próprias forças. Isso sabem-no hoje perfeitamente os espíritas sérios e lúcidos. A experiência há demonstrado ser errôneo atribuir-se aos Espíritos todo o saber e toda a sabedoria e supor-se que baste a quem quer que seja dirigir-se ao primeiro Espírito que se apresente para conhecer todas as coisas.

Já a insistência do argumento ramatisista de que os “marcianos” possam estar em outra “faixa vibratória” e que não podem ser detectados, além de ir contra o texto do próprio Ramatis, é uma forma de tornar a tese jamais passível de verificação, e, portanto, fazê-la não-científica.

Recentemente, Ramatis teria previsto a aparição de extraterrenos:

Os irmãos extras preparam-se para, muito em breve, manter contato direto conosco, no início através de sinais nos céus e por fim pousarem no campo e depois nas cidades, à vista de todos. Então, as pessoas devem estar preparadas para recebê-los com tranqüilidade e confiança, na certeza de que estão aqui para socorrer-nos, evitando-se afobações, correrias e tropéis que só servem para aumentar o sofrimento e o desperdício de almas. Após os primeiros contactos haverá informações sobre como as pessoas devem proceder com relação ao recebimento de ajuda.” (mensagem recebida pelo Grupo de Estudos Ramatís)

Nem esperemos pra ver, porque certamente nada disso acontecerá, a não ser, talvez, no próximo filme do Steven Spielberg…

"Férias" em Phobos e Deimos? fevereiro 14, 2009

Posted by arturf in astronáutica, astronomia, Deimos, Marte, Phobos, sondas.
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O querido leitor deve ter, logo de cara, estranhado o título do artigo, mas logo explicaremos do que se trata.

Antes de qualquer coisa, se faz necessário esclarecer que o Espiritismo aceita como plenamente possível a existência de vida em outros planetas. Não seria racional acreditar que Deus teria criado o Universo infinito para só aqui abrigar vida inteligente, neste diminuto e insignificante planeta chamado Terra. Hoje, a Ciência admite plenamente essa realidade, sendo que recentemente novos cálculos feitos por Duncan Forgan, um astrofísico da Universidade de Edimburgo, na Escócia, apontam para a existência de civilização em até quase 40 mil planetas só nas cercanias de nossa galáxia.

No entanto, nem a posição espírita, nem a posição da Ciência oficial, podem servir de justificativa ou mesmo prova para que se dê credibilidade total a qualquer relato dos espíritos neste sentido, ainda mais quando vêm acompanhados de detalhes e narrações bizarras que, nas mais das vezes, encontram-se repletas de erros e inexatidões.

Em “O Livro dos Espíritos”, os espíritos superiores de antemão alertam que os espíritos não nos vêm poupar dos trabalhos que nos competem, i.é, não revelam aquilo que cabe a nós, encarnados, através do esforço, descobrirmos por conta própria.

A Ciência Espírita, seguindo esse mesmo princípio, tem por objetivo o espírito, suas manifestações na Terra e suas relações com os homens. O Espiritismo estuda e pesquisa o mundo espiritual e não mundo materiais.

Segundo o astrônomo espírita Dulcídio Dibo, muitas comunicações sobre a vida em outros planetas contrariam os princípios metodológicos do Espiritismo, além de estarem opostas aos resultados das pesquisas astronômicas e científicas em geral. E deduziu o seguinte:

1 – Não são todas as comunicações dos espíritos (mesmo os conhecidos como astrônomos) que devem ser consideradas válidas;

2 – A pluralidade dos mundos habitados é corolário do princípio da reencarnação e vice-versa: é neste sentido que as informações dos espíritos interessam ao Espiritismo;

3 – O problema científico do esclarecimento da vida material em outros planetas não compete à Doutrina Filosófica Espírita, mas, sim, à Astronomia e, mais recentemente, à Astronáutica. Da mesma maneira, o problema da vida espiritual em outros planetas ou astros compete à Doutrina Filosófica Espírita;

4 – A pesquisa das condições dos ambientes ecológicos dos planetas e de seus possíveis habitantes pertence aos homens e não aos espíritos;

5 – Os espíritos podem e estão transmitindo as informações que quiserem; contudo, o Espiritismo deve aguardar as confirmações, ou não, da habitabilidade dos planetas pelas pesquisas científicas dos homens“.

Voltado ao título deste artigo, encontramos no livro de Ramatis “A Vida no Planeta Marte e os Discos…”, no capítulo XXVII, intitulado “Viagens Interplanetárias”, a afirmação por parte do citado espírito de que os marcianos costumam realizar viagens ao satélites naturais daquele planeta através de uma linha de vôo regular aos fins-de-semana. O “interessante” é que Ramatis cita a grandeza da civilização marciana, com suas enormes metrópoles e indústrias, o que só fariam sentido em existir em um planeta densamente povoado. No entanto, estudando sobre os satélites marcianos, verificamos que os mesmos são diminutos em tamanho: Phobos tem um diâmetro aproximado de 22km e Deimos não ultrapassa 11,5km. Assim sendo, uma quantidade extremamente pequena de marcianos poderia visitá-los sem acarretar um grande problema de falta de espaço. Além disso, Deimos e Phobos estão longe de ostentar uma forma esférica. Ao contrário, mostram grande discrepância entre seus respectivos eixos maiores e menores. O resultado disso é o estranho aspecto que apresentam e que faz lembrar duas gigantescas batatas deformadas. São também os corpos mais escuros do sistema solar, pois não refletem mais que 5% da luz solar. Baseado no próprio relato de Ramatis, os marcianos ingerem água. Pelo jeito, teriam de levar uma grande quantidade do líquido até os dois satélites, porque sequer há traços de enrugamento em suas superfícies, demonstrando, assim, jamais ter existido água por lá.

Verificamos, portanto, mais uma vez, que o espírito Ramatis, para passar uma idéia de superioridade espiritual, aventurou-se a falar daquilo que não sabia, não contando que, anos mais tarde, o homem teria condições de enviar sondas não-tripuladas e fotografar Marte e seus satélites, além de contar também com o avanço dos instrumentos óticos para observação.

Em resumo: os Espíritos não se manifestam para libertar o homem do estudo e das pesquisas, nem para lhe transmitirem, inteiramente pronta, nenhuma ciência. Com relação ao que o homem pode achar por si mesmo, os espíritos o deixam entregue às suas próprias forças. Isso sabem-no hoje perfeitamente os espíritas sérios e lúcidos. A experiência há demonstrado ser errôneo atribuir-se aos Espíritos todo o saber e toda a sabedoria e supor-se que baste a quem quer que seja dirigir-se ao primeiro Espírito que se apresente para conhecer todas as coisas.

Já a insistência do argumento ramatisista de que os “marcianos” possam estar em outra “faixa vibratória” e que não podem ser detectados, além de ir contra o texto do próprio Ramatis, é uma forma de tornar a tese jamais passível de verificação, e, portanto, fazê-la não-científica.

Recentemente, Ramatis teria previsto a aparição de extraterrenos:

Os irmãos extras preparam-se para, muito em breve, manter contato direto conosco, no início através de sinais nos céus e por fim pousarem no campo e depois nas cidades, à vista de todos. Então, as pessoas devem estar preparadas para recebê-los com tranqüilidade e confiança, na certeza de que estão aqui para socorrer-nos, evitando-se afobações, correrias e tropéis que só servem para aumentar o sofrimento e o desperdício de almas. Após os primeiros contactos haverá informações sobre como as pessoas devem proceder com relação ao recebimento de ajuda.” (mensagem recebida pelo Grupo de Estudos Ramatís)

Nem esperemos pra ver, porque certamente nada disso acontecerá, a não ser, talvez, no próximo filme do Steven Spielberg…

Ramatis e o planeta Marte outubro 22, 2008

Posted by arturf in Herculano Pires, Júpiter, Livro dos Médiuns, Marcianos, Marte.
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Nesta parte do nosso estudo trataremos da questão da Vida no Planeta Marte, conforme descreveu Ramatis no livro do mesmo nome, que anteriormente chegou a se chamar “A Vida no Planeta Marte e os Discos Voadores”. Não se sabe bem porque a mudança no nome, mas a parte que falava nos discos voadores foi retirada das edições mais recentes.

Quando os seguidores de Ramatis são confrontados com os erros contidos na obra supracitada, vêm com dois argumentos diferentes:

1- Que Ramatis teria descrito vida espiritual, e não material;
2- Que foi animismo do médium Hercilio Maes.

Vamos procurar mostrar que não foi nem uma coisa, nem outra, neste nosso estudo, a começar com a tese de que ele teria descrito vida espiritual, e não vida material, em Marte.

As Gafes

Numa época em que a questão da vida em outros planetas e OVNIs habitava o imaginário das pessoas, Ramatis aproveita o o embalo para descrever, no citado livro, várias paisagens que de maneira alguma correspondem à realidade daquele planeta, fotografada e documentada pelas sondas que lá já pousaram.

Vamos analisar algumas dessas gafes:

1– Sobre a superfície e o degelo do pólos

Pergunta: “Há o degelo que a nossa Ciência constata através dos seus telescópios?”

Ramatis: “Sim, e às vezes algo violento, principalmente porque a superfície marciana é quase plana, com raras elevações.”

Erro nº 1 – Não há degelo dos pólos em Marte e muito menos água na sua superfície. O gelo em Marte é formado de dióxido de carbono congelado. Assim sendo, não passa para o estado liquido, e sim sublima-se (passa do estado sólido para o gasoso)

Erro nº 2 – A superfície de Marte está longe de ser predominantemente plana. O terreno é caótico, sendo que há muitas crateras e elevações gigantescas, como o Olympus Mons, um vulcão extinto que excede os 20.000 metros de altura.

Algumas fontes importantes para pesquisa e maiores informações:

http://www.solarviews.com/portug/mars.htm

http://marsrovers.nasa.gov/home/index.html

http://sse.jpl.nasa.gov/news/display.cfm?News_ID=18255

http://www.if.ufrj.br/teaching/astron/mars.html

A “água” do gelo de Marte, segundo Ramatis

Vejam o que ele diz:

Pergunta: “A água de Marte é igual à nossa?”

Ramatis: “É algo semelhante, embora muitíssimo mais leve. Cremos que os vossos astrônomos, em recente análise espectral, devem ter verificado que as neves e as nuvens, em Marte, são compostas quimicamente de H20, variando, no entanto, quanto à especificidade e peso. Sob reações científicas, pode ser igualada à da Terra; porém o marciano prefere para o seu uso um tipo de “água pesada”, grandemente radioativa e que melhor lhe nutre o sistema “organo-magnético”.

E ele continua, se colocando acima da Ciência:

Pergunta: “A composição das calotas polares é, realmente, produto do degelo acumulado, à semelhança de nossos pólos.”

Ramatis: “Nisso a ciência terrena não se equivocou, inclusive na anotação das nuvens azuladas, que registrou em suas observações. O que por vezes nos surpreende, é que a mesma ciência, negando oxigênio suficiente em Marte, anota calotas polares e nuvens azuladas que resultam sempre de hidrogênio e oxigênio, na fórmula comum.”

Erro nº 3 – As neves são compostas de dióxido de carbono congelado, e não de água congelada na sua fórmula comum;

Erro nº 4 – As nuvens são formadas por dióxido de carbono evaporado, que se sublimou.

Erro nº 5 – Não há dois tipos de água em Marte, uma mais leve e outra mais pesada, como afirma o espírito.

Quanto à temperatura no planeta Marte, Ramatis ousadamente assevera:

Pergunta:”Qual a temperatura de Marte, baseando-nos em nossas convenções termométricas?

Ramatis: “Nas regiões equatoriais, a temperatura oscila de 25 a 30 graus, a qual é agradabilíssima ao sistema biológico marciano. Chove raramente; e, devido às quedas bruscas, à noite são comuns as geadas.” (pág. 37)

Já a verdade científica assevera que Marte é um planeta frio, com temperatura média de 63 graus Celsius negativos, com uma temperatura máxima no verão de -5° C e mínima nas calotas polares de -87° C.

A variação de temperatura chega a ser de 20 graus Celsius por minuto, durante o amanhecer. Soubemos também que ocorre variação da temperatura conforme a altitude. A sonda Mars Pathfinder revelou que se uma pessoa estivesse em pé ao lado da sonda, notaria um diferença de 15 graus Celsius entre os pés e o tórax. Essa intensa variação da temperatura em Marte, provoca ventos fortes, gerando as grandes tempestades de poeira vistas na superfície marciana.

Percebemos, portanto, a pobreza da descrição ramatisiana, assim como a grande imprecisão se comparada à realidade constatada pelas sondas que lá estiveram no passado e mais recentemente. Ele não contava que, anos mais tarde, a astronáutica se desenvolveria a tal ponto que sondas seriam enviadas ao planeta e seriam capazes de tirar fotos e mapear toda a sua superfície.

Transcreveremos agora mais um trecho surpreendente da mencionada literatura, que, em nossa avaliação, prima pela incorreção e pelo desconhecimento total da realidade geológica e topográfica daquele planeta.

Pergunta: “Há muitos oceanos iguais aos nossos e existem zonas desertas?”

Ramatis: “A superfície líquida é muito menor do que a sólida, e suas águas se infiltram bastante no solo. Os mares são pouco profundos e os continentes muito recortados, existindo enseadas e golfos em quantidade. Quanto às áreas desertas, existem algumas, de areia fulva, nas outras zonas existem campos de cultura, os bosques e exuberante vegetação que se estendem à margem dos canais suplementares ou artificiais. E os imensos cinturões que observais, da Terra, quais bordados de verdura forrando as zonas ribeirinhas dos canais, são constituídos de ubérrima vegetação sob controle científico.” (pág. 38)

Para quem se dispor a pesquisar o assunto na internet, por exemplo, por nada mais que 5 minutos, vai verificar que a descrição das condições geológicas e topográficas de Marte em nada se assemelham com a realidade.

No entanto, alguns simpatizantes de Ramatis inadvertidamente passaram a divulgar, quando da constatação da realidade marciana pela ciência, que Ramatis estava a descrever a paisagem espiritual do planeta. Ora, em vários momentos ao longo da obra “A Vida no Planeta Marte…”, a citada entidade espiritual descreve vida material, tanto que chega a dizer, na parte transcrita por nós acima: “…E os imensos cinturões que observais, da Terra…” Se ele, pois, fala em “observação” da nossa parte, é claro que ele nos fala de matéria visível aos nossos olhos, isto está bem claro.

Certa feita, Herculano Pires chegou a comentar diretamente sobre esse assunto:

(…)”Têm saído no meio espírita alguns livros que apresentam Marte como superior à Terra. Ora, esses livros são muito fantasiosos. Basta essa fantasia para mostrar que não podemos depositar neles nenhuma confiança. Quando os espíritos chegam às minúcias a que descamam estes livros, minúcias sobre todo processo da vida em Marte, por exemplo, nós precisamos desconfiar dos mesmos. Porque não é essa a função dos espíritos. Que os espíritos tenham dado a Kardec uma espécie de idéia de como seria o nosso sistema solar no tocante à variedade de mundos, apresentando esses dois extremos, a gente entende, até mesmo como sendo uma espécie de maneira didática de transmitir o ensinamento sobre a posição dos mundos no espaço. E foi o que Kardec falou mesmo e ele achou muito interessante nesse sentido. Dá sempre uma idéia mais concreta do que é a vida no espaço.

A respeito de Júpiter, através das referências trazidas por Mozart e Palissy, chegou-se mesmo a transmitir, na sociedade parisiense dos espíritas, alguns desenhos, muito interessantes, sobre as casas em Júpiter, sobre as construções, como eram feitas; sobre a condição dos animais. Eles apresentaram os animais jupiterianos como animais evoluídos, animais que já estão se aproximando da condição humana, que são capazes de se incumbir de todos os trabalhos mais pesados do homem para a construção de uma casa, essas coisas todas.

Esses desenhos foram publicados em Paris. Ainda existem alguns deles que sobreviveram, porque muitos outros foram destruídos pelo tempo. E particularmente destruídos numa guerra entre 29 e 35, quando os alemães invadiram a França, invadiram Paris e ocuparam a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Deram praticamente fim a toda a Sociedade, que retinha todo o arquivo de Kardec.

Mas, apesar disso, os desenhos são muito interessantes. Eu mesmo tenho em casa um quadro com um destes desenhos. É um quadro que foi desenhado por aquele famoso teatrólogo francês, Victor Ian Sardur. Ele era um médium que trabalhava com Kardec na sociedade parisiense. Acontece que Victor Ian Sardur não era desenhista. E nem era médium desenhista. Existiam na sociedade parisiense alguns médiuns, quase todos psicógrafos. E alguns eram desenhistas. Então, quando Mozart disse que ele e Palissy iam fazer alguns desenhos sobre Júpiter, todo mundo ficou esperando que um daqueles médiuns desenhistas os recebesse. Para surpresa de todos, quem recebeu foi o Victor Ian Sardur, que nunca fora desenhista e que era um teatrólogo. Esse desenho que eu tenho aí, por exemplo, foi tirado do próprio desenho publicado na revista espírita. O desenho, não digo original, mas o que foi publicado por Kardec, ele levou nove horas para fazer. Ele era tão minucioso, que exigia muito tempo para fazer.

Isso tem a finalidade de nos dar uma idéia de como seriam os mundos. Qual é a diferença de um mundo para outro? Por que os mundos adiantados têm certas posições, por assim dizer, que para nós são incompreensíveis? Por que um mundo como Júpiter é um mundo de matéria tão rarefeita? Porque é um mundo que está se aproximando da espiritualidade, um mundo que vai se aproximando dos mundos felizes, dos mundos celestes. E os espíritos chamavam de mundos celestes aqueles que, para nós, seriam completamente invisíveis. São mundos de uma vida espírita muito superior, muito elevada. Então, essa escala dos mundos nos apresenta todas essas formas e os mundos mais primários, desde o mundo da lua, completamente material, completamente denso em matéria, desprovido, inclusive, de princípios de vida na atmosfera, até um mundo como Júpiter, em que nós encontramos essa solidez e essa beleza.

Mas quando nós falamos do problema de Marte, nós temos de lembrar que há, no espiritismo brasileiro, um problema a respeito disso. Existe o livro de Ramatis, que é muito conhecido: A vida no planeta Marte. Ramatis já é muito nosso conhecido, pois quando estudamos o espiritismo, e, estudamos a obra de Ramatis, vemos que se não trata de um espírito sábio, um espírito que está dando informações das mais absurdas sobre todas as coisas, como qualquer indivíduo pseudo-sábio na terra, que fala sobre qualquer coisa com a maior facilidade. Expõe teorias, defende princípios e, às vezes, os mais contraditórios, sem perceber que vai cair em contradição. Ramatis, então, é um espírito que não oferece nenhuma garantia para nós. As informações dele são puramente imaginárias, ilusórias. Não têm valor”.(Palestra proferida por José Herculano Pires. O texto acima é uma transcrição de fita de vídeo gravada por ocasião da palestra. )

Depois de tais constatações científicas sobre a realidade do planeta Marte, em contraposição a tudo que Ramatis descrevera, até mesmo uns dos mais famosos médiuns de Ramatis se pronunciou a respeito, só que defendendo o espírito e responsabilizando o médium Hercílio Maes. Vejamos o que escreveu o médium ramatisista Wagner Borges, em seu livro “Viagem Espiritual”:

“Quanto ao livro ‘A Vida no Planeta Marte’, esse talvez tenha sido o maior equívoco mediúnico de Hercílio Maes. Todas as informações sobre a vida extraterrestre ali descrita são verdadeiras. (Como é que ele sabe? Esteve lá pra conferir?) No entanto, há um detalhe muito importante que precisa se considerado: as informações são reais, mas aquele planeta não é Marte!”

(…)”Se ali houvesse realmente uma civilização evoluída, como Ramatis descreve, haveria indícios claros disso no planeta.”

Outro médium de Ramatis, Dalton Roque, recentemente em sua homepage, chegou a declarar:

“Não concordo com o livro sobre o planeta Marte. Não o li e nem o lerei.”

Vemos, portanto, que até mesmo ramatisistas respeitados em seu meio não mais conseguem sustentar os absurdos contidos no livro “A Vida no Planeta Marte e os Discos Voadores”, assinado por Ramatis e propagandeado em todo canto como sendo um livro espírita e de alta credibilidade.

Portanto, qual a verdadeira posição da Doutrina Espírita acerca desse tipo de relato sobre vida em outros mundos?

Kardec é bastante claro:

“Não temos sobre os outros mundos senão notícias HIPOTÉTICAS.”

Em 1862, Kardec pede explicações ao espírito Georges sobre suas mensagens a respeito de planetas, como Vênus, e o questionou sobre alguns pontos. Ao final, conclui:

“Essa descrição de Vênus, sem dúvida, não tem nenhum dos caracteres de uma autenticidade absoluta, e também não a damos senão a título condicional.”

Em “O Livro dos Médiuns”, consta ainda o seguinte:

296. Perguntas sobre os outros mundos

32ª Que confiança se pode depositar nas descrições que os Espíritos fazem dos diferentes mundos?

“Depende do grau de adiantamento real dos Espíritos que dão essas descrições, pois bem deveis compreender que Espíritos vulgares são tão incapazes de vos informarem a esse respeito, quanto o é, entre vós, um ignorante, de descrever todos os países da Terra.

Formulais muitas vezes, sobre esses mundos, questões científicas que tais Espíritos não podem resolver.

Se eles estiverem de boa-fé falarão disso de acordo com suas idéias pessoais; se forem Espíritos levianos divertir-se-ão em dar-vos descrições estranhas e fantásticas, tanto mais facilmente quanto esses Espíritos, que na erraticidade não são menos providos de imaginação do que na Terra, tiram dessa faculdade a narração de muitas coisas que nada têm de real.

Entretanto, não julgueis absolutamente impossível obterdes, sobre os outros mundos, alguns esclarecimentos. Os bons Espíritos se comprazem mesmo em descrever-vos os que eles habitam, como ensino tendente a vos melhorar, induzindo-vos a seguir o caminho que vos conduzirá a esses mundos. É um meio de vos fixarem as idéias sobre o futuro e não vos deixarem na incerteza.”

a) Como se pode verificar a exatidão dessas descrições?

“A MELHOR VERIFICAÇÃO RESIDE NA CONCORDÂNCIA que haja entre elas.

Porém, lembrai-vos de que semelhantes descrições têm por fim o vosso melhoramento moral e que, por conseguinte, é sobre o estado moral dos habitantes dos Outros mundos que podeis ser mais bem informados e não sobre o estado físico ou geológico de tais esferas.

Com os vossos conhecimentos atuais, não poderíeis mesmo compreendê-lo; semelhante estudo de nada serviria para o vosso progresso na Terra e toda a possibilidade tereis de fazê-lo, quando nelas estiverdes.”

NOTA: As questões sobre a constituição física e os elementos astronômicos dos mundos se compreendem no campo das pesquisas científicas, para cuja efetivação não devem os Espíritos poupar-nos os trabalhos que demandam.

Se não fosse assim, muito cômodo se tornaria para um astrônomo pedir aos Espíritos que lhe fizessem os cálculos, o que, no entanto, depois, sem dúvida, esconderia.
Se os Espíritos pudessem, por meio da revelação, evitar o trabalho de uma descoberta, é provável que o fizessem para um sábio que, por bastante modesto, não hesitaria em proclamar abertamente o meio pelo qual o alcançara e não para os orgulhosos que os renegam e a cujo amor-próprio, ao contrário, eles muitas vezes poupam decepções.

O Livro dos Médiuns – Capítulo XXVI – Das Perguntas que se Podem Fazer aos Espíritos/Perguntas sobre os outros mundos

O grande escritor e divulgador espírita, Carlos Imbassahy, já desencarnado, certa feita foi perguntado sobre o espírito Ramatis e o planeta Marte, tendo respondido o seguinte, conforme consta do livro “As Melhores Respostas do Imbassahy”:

“Remete-me o confrade P. – que não deseja ver publicado seu nome – uma longa mensagem onde se descreve a vida em Marte, e me pergunta o que eu acho. Mas que posso eu achar num planeta a tal distância? Ainda se fosse ali em Cascadura… A coisa única que me ocorre dizer-lhe é que estas histórias de Marte são de morte! (implicitamente, a vida em Marte sugere a obra de Ramatis; sem querer citá-la, Dr. Imbassahy limita-se a passar por alto pelo assunto…”

Aproveitamos para agradecer à ADE-SE – Associação dos Divulgadores do Espiritismo do Estado do Sergipe pela divulgação deste nosso artigo em sua página. Eis o link:

http://www.ade-sergipe.com.br/sistema/upload_dir/RAMATIS-_E_SEUS_INFORMES!.doc

Ramatis e o planeta Marte outubro 21, 2008

Posted by arturf in Herculano Pires, Júpiter, Livro dos Médiuns, Marcianos, Marte.
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Nesta parte do nosso estudo trataremos da questão da Vida no Planeta Marte, conforme descreveu Ramatis no livro do mesmo nome, que anteriormente chegou a se chamar “A Vida no Planeta Marte e os Discos Voadores”. Não se sabe bem porque a mudança no nome, mas a parte que falava nos discos voadores foi retirada das edições mais recentes.

Quando os seguidores de Ramatis são confrontados com os erros contidos na obra supracitada, vêm com dois argumentos diferentes:

1- Que Ramatis teria descrito vida espiritual, e não material;
2- Que foi animismo do médium Hercilio Maes.

Vamos procurar mostrar que não foi nem uma coisa, nem outra, neste nosso estudo, a começar com a tese de que ele teria descrito vida espiritual, e não vida material, em Marte.

As Gafes

Numa época em que a questão da vida em outros planetas e OVNIs habitava o imaginário das pessoas, Ramatis aproveita o o embalo para descrever, no citado livro, várias paisagens que de maneira alguma correspondem à realidade daquele planeta, fotografada e documentada pelas sondas que lá já pousaram.

Vamos analisar algumas dessas gafes:

1– Sobre a superfície e o degelo do pólos

Pergunta: “Há o degelo que a nossa Ciência constata através dos seus telescópios?”

Ramatis: “Sim, e às vezes algo violento, principalmente porque a superfície marciana é quase plana, com raras elevações.”

Erro nº 1 – Não há degelo dos pólos em Marte e muito menos água na sua superfície. O gelo em Marte é formado de dióxido de carbono congelado. Assim sendo, não passa para o estado liquido, e sim sublima-se (passa do estado sólido para o gasoso)

Erro nº 2 – A superfície de Marte está longe de ser predominantemente plana. O terreno é caótico, sendo que há muitas crateras e elevações gigantescas, como o Olympus Mons, um vulcão extinto que excede os 20.000 metros de altura.

Algumas fontes importantes para pesquisa e maiores informações:

http://www.solarviews.com/portug/mars.htm

http://marsrovers.nasa.gov/home/index.html

http://sse.jpl.nasa.gov/news/display.cfm?News_ID=18255

http://www.if.ufrj.br/teaching/astron/mars.html

A “água” do gelo de Marte, segundo Ramatis

Vejam o que ele diz:

Pergunta: “A água de Marte é igual à nossa?”

Ramatis: “É algo semelhante, embora muitíssimo mais leve. Cremos que os vossos astrônomos, em recente análise espectral, devem ter verificado que as neves e as nuvens, em Marte, são compostas quimicamente de H20, variando, no entanto, quanto à especificidade e peso. Sob reações científicas, pode ser igualada à da Terra; porém o marciano prefere para o seu uso um tipo de “água pesada”, grandemente radioativa e que melhor lhe nutre o sistema “organo-magnético”.

E ele continua, se colocando acima da Ciência:

Pergunta: “A composição das calotas polares é, realmente, produto do degelo acumulado, à semelhança de nossos pólos.”

Ramatis: “Nisso a ciência terrena não se equivocou, inclusive na anotação das nuvens azuladas, que registrou em suas observações. O que por vezes nos surpreende, é que a mesma ciência, negando oxigênio suficiente em Marte, anota calotas polares e nuvens azuladas que resultam sempre de hidrogênio e oxigênio, na fórmula comum.”

Erro nº 3 – As neves são compostas de dióxido de carbono congelado, e não de água congelada na sua fórmula comum;

Erro nº 4 – As nuvens são formadas por dióxido de carbono evaporado, que se sublimou.

Erro nº 5 – Não há dois tipos de água em Marte, uma mais leve e outra mais pesada, como afirma o espírito.

Quanto à temperatura no planeta Marte, Ramatis ousadamente assevera:

Pergunta:”Qual a temperatura de Marte, baseando-nos em nossas convenções termométricas?

Ramatis: “Nas regiões equatoriais, a temperatura oscila de 25 a 30 graus, a qual é agradabilíssima ao sistema biológico marciano. Chove raramente; e, devido às quedas bruscas, à noite são comuns as geadas.” (pág. 37)

Já a verdade científica assevera que Marte é um planeta frio, com temperatura média de 63 graus Celsius negativos, com uma temperatura máxima no verão de -5° C e mínima nas calotas polares de -87° C.

A variação de temperatura chega a ser de 20 graus Celsius por minuto, durante o amanhecer. Soubemos também que ocorre variação da temperatura conforme a altitude. A sonda Mars Pathfinder revelou que se uma pessoa estivesse em pé ao lado da sonda, notaria um diferença de 15 graus Celsius entre os pés e o tórax. Essa intensa variação da temperatura em Marte, provoca ventos fortes, gerando as grandes tempestades de poeira vistas na superfície marciana.

Percebemos, portanto, a pobreza da descrição ramatisiana, assim como a grande imprecisão se comparada à realidade constatada pelas sondas que lá estiveram no passado e mais recentemente. Ele não contava que, anos mais tarde, a astronáutica se desenvolveria a tal ponto que sondas seriam enviadas ao planeta e seriam capazes de tirar fotos e mapear toda a sua superfície.

Transcreveremos agora mais um trecho surpreendente da mencionada literatura, que, em nossa avaliação, prima pela incorreção e pelo desconhecimento total da realidade geológica e topográfica daquele planeta.

Pergunta: “Há muitos oceanos iguais aos nossos e existem zonas desertas?”

Ramatis: “A superfície líquida é muito menor do que a sólida, e suas águas se infiltram bastante no solo. Os mares são pouco profundos e os continentes muito recortados, existindo enseadas e golfos em quantidade. Quanto às áreas desertas, existem algumas, de areia fulva, nas outras zonas existem campos de cultura, os bosques e exuberante vegetação que se estendem à margem dos canais suplementares ou artificiais. E os imensos cinturões que observais, da Terra, quais bordados de verdura forrando as zonas ribeirinhas dos canais, são constituídos de ubérrima vegetação sob controle científico.” (pág. 38)

Para quem se dispor a pesquisar o assunto na internet, por exemplo, por nada mais que 5 minutos, vai verificar que a descrição das condições geológicas e topográficas de Marte em nada se assemelham com a realidade.

No entanto, alguns simpatizantes de Ramatis inadvertidamente passaram a divulgar, quando da constatação da realidade marciana pela ciência, que Ramatis estava a descrever a paisagem espiritual do planeta. Ora, em vários momentos ao longo da obra “A Vida no Planeta Marte…”, a citada entidade espiritual descreve vida material, tanto que chega a dizer, na parte transcrita por nós acima: “…E os imensos cinturões que observais, da Terra…” Se ele, pois, fala em “observação” da nossa parte, é claro que ele nos fala de matéria visível aos nossos olhos, isto está bem claro.

Certa feita, Herculano Pires chegou a comentar diretamente sobre esse assunto:

(…)”Têm saído no meio espírita alguns livros que apresentam Marte como superior à Terra. Ora, esses livros são muito fantasiosos. Basta essa fantasia para mostrar que não podemos depositar neles nenhuma confiança. Quando os espíritos chegam às minúcias a que descamam estes livros, minúcias sobre todo processo da vida em Marte, por exemplo, nós precisamos desconfiar dos mesmos. Porque não é essa a função dos espíritos. Que os espíritos tenham dado a Kardec uma espécie de idéia de como seria o nosso sistema solar no tocante à variedade de mundos, apresentando esses dois extremos, a gente entende, até mesmo como sendo uma espécie de maneira didática de transmitir o ensinamento sobre a posição dos mundos no espaço. E foi o que Kardec falou mesmo e ele achou muito interessante nesse sentido. Dá sempre uma idéia mais concreta do que é a vida no espaço.

A respeito de Júpiter, através das referências trazidas por Mozart e Palissy, chegou-se mesmo a transmitir, na sociedade parisiense dos espíritas, alguns desenhos, muito interessantes, sobre as casas em Júpiter, sobre as construções, como eram feitas; sobre a condição dos animais. Eles apresentaram os animais jupiterianos como animais evoluídos, animais que já estão se aproximando da condição humana, que são capazes de se incumbir de todos os trabalhos mais pesados do homem para a construção de uma casa, essas coisas todas.

Esses desenhos foram publicados em Paris. Ainda existem alguns deles que sobreviveram, porque muitos outros foram destruídos pelo tempo. E particularmente destruídos numa guerra entre 29 e 35, quando os alemães invadiram a França, invadiram Paris e ocuparam a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Deram praticamente fim a toda a Sociedade, que retinha todo o arquivo de Kardec.

Mas, apesar disso, os desenhos são muito interessantes. Eu mesmo tenho em casa um quadro com um destes desenhos. É um quadro que foi desenhado por aquele famoso teatrólogo francês, Victor Ian Sardur. Ele era um médium que trabalhava com Kardec na sociedade parisiense. Acontece que Victor Ian Sardur não era desenhista. E nem era médium desenhista. Existiam na sociedade parisiense alguns médiuns, quase todos psicógrafos. E alguns eram desenhistas. Então, quando Mozart disse que ele e Palissy iam fazer alguns desenhos sobre Júpiter, todo mundo ficou esperando que um daqueles médiuns desenhistas os recebesse. Para surpresa de todos, quem recebeu foi o Victor Ian Sardur, que nunca fora desenhista e que era um teatrólogo. Esse desenho que eu tenho aí, por exemplo, foi tirado do próprio desenho publicado na revista espírita. O desenho, não digo original, mas o que foi publicado por Kardec, ele levou nove horas para fazer. Ele era tão minucioso, que exigia muito tempo para fazer.

Isso tem a finalidade de nos dar uma idéia de como seriam os mundos. Qual é a diferença de um mundo para outro? Por que os mundos adiantados têm certas posições, por assim dizer, que para nós são incompreensíveis? Por que um mundo como Júpiter é um mundo de matéria tão rarefeita? Porque é um mundo que está se aproximando da espiritualidade, um mundo que vai se aproximando dos mundos felizes, dos mundos celestes. E os espíritos chamavam de mundos celestes aqueles que, para nós, seriam completamente invisíveis. São mundos de uma vida espírita muito superior, muito elevada. Então, essa escala dos mundos nos apresenta todas essas formas e os mundos mais primários, desde o mundo da lua, completamente material, completamente denso em matéria, desprovido, inclusive, de princípios de vida na atmosfera, até um mundo como Júpiter, em que nós encontramos essa solidez e essa beleza.

Mas quando nós falamos do problema de Marte, nós temos de lembrar que há, no espiritismo brasileiro, um problema a respeito disso. Existe o livro de Ramatis, que é muito conhecido: A vida no planeta Marte. Ramatis já é muito nosso conhecido, pois quando estudamos o espiritismo, e, estudamos a obra de Ramatis, vemos que se não trata de um espírito sábio, um espírito que está dando informações das mais absurdas sobre todas as coisas, como qualquer indivíduo pseudo-sábio na terra, que fala sobre qualquer coisa com a maior facilidade. Expõe teorias, defende princípios e, às vezes, os mais contraditórios, sem perceber que vai cair em contradição. Ramatis, então, é um espírito que não oferece nenhuma garantia para nós. As informações dele são puramente imaginárias, ilusórias. Não têm valor”.(Palestra proferida por José Herculano Pires. O texto acima é uma transcrição de fita de vídeo gravada por ocasião da palestra. )

Depois de tais constatações científicas sobre a realidade do planeta Marte, em contraposição a tudo que Ramatis descrevera, até mesmo uns dos mais famosos médiuns de Ramatis se pronunciou a respeito, só que defendendo o espírito e responsabilizando o médium Hercílio Maes. Vejamos o que escreveu o médium ramatisista Wagner Borges, em seu livro “Viagem Espiritual”:

“Quanto ao livro ‘A Vida no Planeta Marte’, esse talvez tenha sido o maior equívoco mediúnico de Hercílio Maes. Todas as informações sobre a vida extraterrestre ali descrita são verdadeiras. (Como é que ele sabe? Esteve lá pra conferir?) No entanto, há um detalhe muito importante que precisa se considerado: as informações são reais, mas aquele planeta não é Marte!”

(…)”Se ali houvesse realmente uma civilização evoluída, como Ramatis descreve, haveria indícios claros disso no planeta.”

Outro médium de Ramatis, Dalton Roque, recentemente em sua homepage, chegou a declarar:

“Não concordo com o livro sobre o planeta Marte. Não o li e nem o lerei.”

Vemos, portanto, que até mesmo ramatisistas respeitados em seu meio não mais conseguem sustentar os absurdos contidos no livro “A Vida no Planeta Marte e os Discos Voadores”, assinado por Ramatis e propagandeado em todo canto como sendo um livro espírita e de alta credibilidade.

Portanto, qual a verdadeira posição da Doutrina Espírita acerca desse tipo de relato sobre vida em outros mundos?

Kardec é bastante claro:

“Não temos sobre os outros mundos senão notícias HIPOTÉTICAS.”

Em 1862, Kardec pede explicações ao espírito Georges sobre suas mensagens a respeito de planetas, como Vênus, e o questionou sobre alguns pontos. Ao final, conclui:

“Essa descrição de Vênus, sem dúvida, não tem nenhum dos caracteres de uma autenticidade absoluta, e também não a damos senão a título condicional.”

Em “O Livro dos Médiuns”, consta ainda o seguinte:

296. Perguntas sobre os outros mundos

32ª Que confiança se pode depositar nas descrições que os Espíritos fazem dos diferentes mundos?

“Depende do grau de adiantamento real dos Espíritos que dão essas descrições, pois bem deveis compreender que Espíritos vulgares são tão incapazes de vos informarem a esse respeito, quanto o é, entre vós, um ignorante, de descrever todos os países da Terra.

Formulais muitas vezes, sobre esses mundos, questões científicas que tais Espíritos não podem resolver.

Se eles estiverem de boa-fé falarão disso de acordo com suas idéias pessoais; se forem Espíritos levianos divertir-se-ão em dar-vos descrições estranhas e fantásticas, tanto mais facilmente quanto esses Espíritos, que na erraticidade não são menos providos de imaginação do que na Terra, tiram dessa faculdade a narração de muitas coisas que nada têm de real.

Entretanto, não julgueis absolutamente impossível obterdes, sobre os outros mundos, alguns esclarecimentos. Os bons Espíritos se comprazem mesmo em descrever-vos os que eles habitam, como ensino tendente a vos melhorar, induzindo-vos a seguir o caminho que vos conduzirá a esses mundos. É um meio de vos fixarem as idéias sobre o futuro e não vos deixarem na incerteza.”

a) Como se pode verificar a exatidão dessas descrições?

“A MELHOR VERIFICAÇÃO RESIDE NA CONCORDÂNCIA que haja entre elas.

Porém, lembrai-vos de que semelhantes descrições têm por fim o vosso melhoramento moral e que, por conseguinte, é sobre o estado moral dos habitantes dos Outros mundos que podeis ser mais bem informados e não sobre o estado físico ou geológico de tais esferas.

Com os vossos conhecimentos atuais, não poderíeis mesmo compreendê-lo; semelhante estudo de nada serviria para o vosso progresso na Terra e toda a possibilidade tereis de fazê-lo, quando nelas estiverdes.”

NOTA: As questões sobre a constituição física e os elementos astronômicos dos mundos se compreendem no campo das pesquisas científicas, para cuja efetivação não devem os Espíritos poupar-nos os trabalhos que demandam.

Se não fosse assim, muito cômodo se tornaria para um astrônomo pedir aos Espíritos que lhe fizessem os cálculos, o que, no entanto, depois, sem dúvida, esconderia.
Se os Espíritos pudessem, por meio da revelação, evitar o trabalho de uma descoberta, é provável que o fizessem para um sábio que, por bastante modesto, não hesitaria em proclamar abertamente o meio pelo qual o alcançara e não para os orgulhosos que os renegam e a cujo amor-próprio, ao contrário, eles muitas vezes poupam decepções.

O Livro dos Médiuns – Capítulo XXVI – Das Perguntas que se Podem Fazer aos Espíritos/Perguntas sobre os outros mundos

O grande escritor e divulgador espírita, Carlos Imbassahy, já desencarnado, certa feita foi perguntado sobre o espírito Ramatis e o planeta Marte, tendo respondido o seguinte, conforme consta do livro “As Melhores Respostas do Imbassahy”:

“Remete-me o confrade P. – que não deseja ver publicado seu nome – uma longa mensagem onde se descreve a vida em Marte, e me pergunta o que eu acho. Mas que posso eu achar num planeta a tal distância? Ainda se fosse ali em Cascadura… A coisa única que me ocorre dizer-lhe é que estas histórias de Marte são de morte! (implicitamente, a vida em Marte sugere a obra de Ramatis; sem querer citá-la, Dr. Imbassahy limita-se a passar por alto pelo assunto…”

Jorge Rizzini também fez comentários interessantíssimos sobre esses relatos de Marte e Ramatis:

“A NAVE DE RAMATIS – QUE ESTÁ SEMPRE LOTADA DE ANALFABETOS ESPÍRITAS”

“O Espírito Ramatis sabe jogar com rara habilidade com fantasias e verdades. E, por não desprezar a verdade conseguiu ludibriar até mesmo alguns que se julgavam conhecedores da Doutrina Espírita. Mas não é exatamente mau. O problema é que ele convulsiona o Movimento Espírita com suas fantasias, através de um estilo austero, professoral, às vezes dramático.

Sua palavra é a última sobre qualquer assunto. Não há pergunta que o deixe embaraçado, seja sobre química ou física nuclear, botânica ou astronomia, pintura ou medicina, etc. Mas, entre os temas de sua predileção um há que o deixa enternecido e sobre o qual chegou a escrever um livro com mais de quatrocentas páginas e que tem o sugestivo título de “A Vida no Planeta Marte” (e os discos voadores). A obra foi publicada em 1956, mas é atualíssima, pois os cientistas da Terra estão pesquisando aquele planeta.

Enquanto Ramatis, com seu estilo doutoral, com sua imaginação indomável, nos diz a respeito de Marte que:

◘ Já tem, aproximadamente, um bilhão e meio de habitantes;
◘ O Espírito reencarnante marciano vive no casulo materno sob condições análogas às terrenas;
◘ Estamos em relação aos marcianos, com relação a eletrônica, quatrocentos anos atrasados;
◘ Moralmente, um milênio;
◘ Todos os sistemas religiosos do planeta são reencarnacionistas e entram em contato com os Espíritos desencarnados.

Estas e outras informações são de Ramatis, autor que fascinou os leitores e os fez sonhar com o planeta Marte. Sua capacidade de narrar é singular, e sua imaginação ardente, se não supera pelo menos se iguala a dos fantásticos criadores de estórias em quadrinhos. Impossível não realçar essas qualidades, que lhe granjearam, logo ao ser publicado o seu primeiro livro, os aplausos do público em geral e, particularmente, de milhares de espiritistas incautos, que nele viram uma sumidade do Além.

Ramatis é um Espírito enfermo, trata-se, evidentemente, de um caso de megalomania, enfermidade mental. E não de maldade deliberada, já que suas mistificações, por estranho que pareça, sempre visam enlevar o público. Que a enfermidade atingiu o mais alto grau, não há dúvida, pois Ramatis se comove quando fala do Evangelho, como quando fala da “civilização marciana”. Ele mistura verdade e mentira na mesma emoção. Ao invés de recriminações, Ramatis merece compreensão e preces.
Os que merecem mesmo cuidados especiais são os “espíritas” que ainda estão radiantes com a leitura de livros de Ramatis. Esses sim são detentores de um potencial capaz de deturpar o Movimento Espírita.”
Jorge Rizzini. (“Jornal Espírita”, São Paulo-SP, Fevereiro de 1977).

Aproveitamos para agradecer à ADE-SE – Associação dos Divulgadores do Espiritismo do Estado do Sergipe pela divulgação deste nosso artigo em sua página. Eis o link:

http://www.ade-sergipe.com.br/sistema/upload_dir/RAMATIS-_E_SEUS_INFORMES!.doc

Breve Resumo de Algumas Diferenças outubro 21, 2008

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Espíritos Superiores da Codificação x Ramatis

1- Astrologia:

Doutrina Espírita – Kardec deixa bem claro a posição do Espiritismo em “A Gênese” e há respostas dos espíritos indicando claramente que essa é uma crença supersticiosa e sem fundamento. O Espiritismo se baseia no livre-arbítrio;

Ramatis – Aceita a astrologia plenamente, e diz ainda que Jesus teve que esperar uma conjunção astrológica em Peixes para vir à Terra.

2- Jesus

DE – O modelo e guia da humanidade. Espírito perfeito. O Cristo, o Ungido;

Ramatis – Um espírito que, embora superior, foi um aprendiz dos essênios, tendo inclusive encarnado outras vezes na Terra. Numa dessas encarnações, segundo Ramatis, Jesus fora Antúlio de Maha-Ettel, líder da mitológica Atlântida. Para Ramatis, Jesus não é o Cristo, mas um médium do mesmo;

3- Métodos Contraceptivos

DE – Só é prejudicial se utilizado para satisfação da sensualidade, o que seria sinal de egoísmo. Apóia o planejamento familiar;

Ramatis– Condenados todos. Para o casal não ter filhos, tem que praticar a abstinência. Sexo só foi feito para procriação. Todo casal tem que ter, no mínimo, quatro filhos para estar quite com a lei;

4- Fim dos tempos

DE – Não acredita. Fala de uma renovação gradual através do avanço moral da humanidade. Fala em convulsões sociais, embates de idéias como sinais da renovação futura;

Ramatis – Aposta em um cataclisma de proporções globais, com elevação abrupta do eixo da Terra, que ceifará a vida de 2/3 da população. Após essa hecatombe, a Terra se tornará um planeta mais adiantado. Um suposto astro intruso, vulgarmente apelidado de “planeta chupão”, causaria tal destruição;

5 – Vegetarianismo

DE – Deixa-nos à vontade para escolher, embora alerte em relação a crueldade com os animais. Deixa a entender que essa será uma opção predominante no futuro, mas que não representa uma transgressão “uma vez que a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece”.

Ramatis – O consumo de carne é um grave erro do ponto de vista espiritual, além de causar prejuízos à saúde.

6- Incensos, defumadores, amuletos, talismãs, ação de objetos materiais sobre os espíritos e sobre os fluidos

DE – Não admite qualquer ação da matéria sobre os espíritos ou sobre os fluidos ambiente;

Ramatis – Os defumadores e incensos são “detonadores de miasmas astralinos”, i.é, teriam efeito sobre os fluidos ambiente. A palavra AUM, quando pronunciada, nos ligaria ao Cristo Planetário;

7 – Médiuns Receitistas e médiuns curadores

DE – O médium receitista é psicógrafo;

Ramatis – O médium receitista é curador;

8 – Planeta Marte e vida extraterrestre

DE – Não se imiscui em questões que dizem respeito aos esforços da ciência humana. Espíritos podem trazer contribuições esporádicas, que no entanto deverão aguardar confirmação para serem plenamente aceitas;

Ramatis – Descreve vida material em Marte, com existência de vegetação abundante, oceanos, mares e florestas. Vai além e arrisca “revelar” a existência de 12 planetas no Sistema Solar, que comporiam a côrte dos “dozes apóstolos planetários do Cristo Solar”.

Mais alguns conceitos e idéias de Ramatis:

1- As plantas carnívoras possuem o eterismo (?) impregado de desejos e de paixão, porque elas participam do sexto mundo astral, que é a dos desejos e que precede o mundo etérico. (in “Mensagens do Astral”, p.269)

2- A órbita do planeta que teria destruído a Terra até 1999 é de 6.666 anos. (Ele previu a data da destruição, mas nada aconteceu) (idem)

3- Marcianos teriam atirado contra um caça americano F-15 e o reencarnado em Marte para compensar. (“O Planeta Marte e os Discos Voadores”)

4- Os essênios já conheciam o Espiritismo. (“O Sublime Peregrino”)

5- Aqueles que não alcançam uma evolução razoável na Terra no período exato de 2160 anos são exilados para outro orbe. (Mensagens do astral, p.255)

6- Ramatis prevê uma guerra com emprego de armas atômicas no último terço do séc. XX entre os dois continentes mais poderosos (quais?) (“Mensagens…”, p. 230)

7- Até o ano 2000, os pólos estariam livres do gelo. (idem, p.228)

8- Gigantes (pessoas altas?) são provenientes dos satélites jupiterianos, enquanto os anões são antigos emigrados do satélite de Marte. (idem, p.212)

9 – O espírito do homem é um fragmento do espírito de Deus. (idem, p.207)

10- Rituais, mantras, etc. são meios de se alcançar o “Cristo Planetário”. (idem, p. 302)

11- Júpiter é descrito por Ramatis como um planeta de substância rígida, contundente, enquanto, na verdade, é um planeta eminentemente gasoso. (“A Vida no Planeta Marte”, cap. V)

12- A calvície masculina e feminina seria causada pelo não acompanhamento das fases da Lua para o corte. (“Magia de Redenção”)

E você, amado leitor, fica com quem? Com a Codificação Espírita, que tem como base o consenso universal e participação direta de espíritos do quilate de Erasto, Fenelón, S. Agostinho, S. Luis, Vicente de Paulo, Sócrates, Platão, entre outros, sob a égide do Espírito da Verdade, ou com a opinião unilateral de Ramatis?

O “metro que melhor mediu Kardec”, J. Herculano Pires, nos auxilia nesta decisão:

A obra de Kardec é a bússola em que podemos confiar. Ela é a pedra de toque que podemos usar para aferir a legitimidade ou não das pedras aparentemente preciosas que os garimpeiros de novidades nos querem vender. Essa obra repousa na experiência de Kardec e na sabedoria do Espírito da Verdade. Se não confiamos nela é melhor abandonarmos o Espiritismo. Não há mestres espirituais na Terra nesta hora de provas, que é semelhante à hora de exames numa escola do mundo. Jesus poderia nos responder, diante da nossa busca comodista de novos mestres, como Abraão respondeu ao rico da parábola: Porque eu deveria mandar-vos novos mestres, se tendes convosco a Codificação e os Evangelhos?” (“Mediunidade” – Herculano Pires – Edicel – 4ª edição – pg. 28)

Breve Resumo de Algumas Diferenças outubro 21, 2008

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Espíritos Superiores da Codificação x Ramatis

1- Astrologia:

Doutrina Espírita – Kardec deixa bem claro a posição do Espiritismo em “A Gênese” e há respostas dos espíritos indicando claramente que essa é uma crença supersticiosa e sem fundamento. O Espiritismo se baseia no livre-arbítrio;

Ramatis – Aceita a astrologia plenamente, e diz ainda que Jesus teve que esperar uma conjunção astrológica em Peixes para vir à Terra.

(Tema tratado no tópico “Espiritismo, Astrologia e Ramatis“)

2- Jesus

DE – O modelo e guia da humanidade. Espírito perfeito. O Cristo, o Ungido;

Ramatis – Um espírito que, embora superior, foi um aprendiz dos essênios, tendo inclusive encarnado outras vezes na Terra. Numa dessas encarnações, segundo Ramatis, Jesus fora Antúlio de Maha-Ettel, líder da mitológica Atlântida. Para Ramatis, Jesus não é o Cristo, mas um médium do mesmo;

3- Métodos Contraceptivos

DE – Só é prejudicial se utilizado para satisfação da sensualidade, o que seria sinal de egoísmo. Apóia o planejamento familiar;

Ramatis– Condenados todos. Para o casal não ter filhos, tem que praticar a abstinência. Sexo só foi feito para procriação. Todo casal tem que ter, no mínimo, quatro filhos para estar quite com a lei;

(Tema tratado no tópico “Ramatis e a Lei de Reprodução“)

4- Fim dos tempos

DE – Não acredita. Fala de uma renovação gradual através do avanço moral da humanidade. Fala em convulsões sociais, embates de idéias como sinais da renovação futura;

Ramatis – Aposta em um cataclismo de proporções globais, com elevação abrupta do eixo da Terra, que ceifará a vida de 2/3 da população. Após essa hecatombe, a Terra se tornará um planeta mais adiantado. Um suposto astro intruso, vulgarmente apelidado de “planeta chupão”, causaria tal destruição;

(Tema tratado nos tópicos: “Catastrofismo Aparvalhante: as Previsões Apocalípticas que não se Cumpriram“, “À Feição de Seita Apocalíptica”, “Onde Está o Planeta Chupão de Ramatis?“, “Ramatis dita Ficção e não realidade, assim como Hollywood” e “Planeta X, Chupão ou Nibiru: Respondendo a um Leitor Ramatisista“)

5 – Vegetarianismo

DE – Deixa-nos à vontade para escolher, embora alerte em relação a crueldade com os animais. Deixa a entender que essa será uma opção predominante no futuro, mas que não representa uma transgressão “uma vez que a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece”.

Ramatis – O consumo de carne é um grave erro do ponto de vista espiritual, além de causar prejuízos à saúde.

(Tema tratado no tópico: “Ramatis e a Questão Vegetariana“)

6- Incensos, defumadores, amuletos, talismãs, ação de objetos materiais sobre os espíritos e sobre os fluidos

DE – Não admite qualquer ação da matéria sobre os espíritos ou sobre os fluidos ambiente;

(Tema tratado no tópico “Utilidade Pública: Incensos e Defumadores fazem mal à saúde

Ramatis – Os defumadores e incensos são “detonadores de miasmas astralinos”, i.é, teriam efeito sobre os fluidos ambiente. A palavra AUM, quando pronunciada, nos ligaria ao Cristo Planetário;

7 – Médiuns Receitistas e médiuns curadores

DE – O médium receitista é psicógrafo;

Ramatis – O médium receitista é curador;

8 – Planeta Marte e vida extraterrestre

DE – Não se imiscui em questões que dizem respeito aos esforços da ciência humana. Espíritos podem trazer contribuições esporádicas, que no entanto deverão aguardar confirmação para serem plenamente aceitas;

Ramatis – Descreve vida material em Marte, com existência de vegetação abundante, oceanos, mares e florestas. Vai além e arrisca “revelar” a existência de 12 planetas no Sistema Solar, que comporiam a côrte dos “dozes apóstolos planetários do Cristo Solar”.

(Tema tratado nos tópicos: “Ramatis e o Planeta Marte” e “Férias em Phobos e Deimos?

Mais alguns conceitos e idéias de Ramatis:

1– As plantas carnívoras possuem o eterismo (?) impregnado de desejos e de paixão, porque elas participam do sexto mundo astral, que é a dos desejos e que precede o mundo etérico. (in “Mensagens do Astral”, p.269)

2– A órbita do planeta que teria destruído a Terra até 1999 é de 6.666 anos. (Ele previu a data da destruição, mas nada aconteceu) (idem)

3Marcianos teriam atirado contra um caça americano F-15 e o reencarnado em Marte para compensar. (“O Planeta Marte e os Discos Voadores”)

4– Os essênios já conheciam o Espiritismo. (“O Sublime Peregrino”)

5– Aqueles que não alcançam uma evolução razoável na Terra no período exato de 2160 anos são exilados para outro orbe. (Mensagens do astral, p.255)

6– Ramatis prevê uma guerra com emprego de armas atômicas no último terço do séc. XX entre os dois continentes mais poderosos (quais?) (“Mensagens…”, p. 230)

7Até o ano 2000, os pólos estariam livres do gelo. (idem, p.228)

8Gigantes (pessoas altas?) são provenientes dos satélites jupiterianos, enquanto os anões são antigos emigrados do satélite de Marte. (idem, p.212)

9 – O espírito do homem é um fragmento do espírito de Deus. (idem, p.207)

10Rituais, mantras, etc. são meios de se alcançar o “Cristo Planetário”. (idem, p. 302)

11Júpiter é descrito por Ramatis como um planeta de substância rígida, contundente, enquanto, na verdade, é um planeta eminentemente gasoso. (“A Vida no Planeta Marte”, cap. V)

12– A calvície masculina e feminina seria causada pelo hábito de cortar os cabelos e pelo não acompanhamento das fases da Lua para tal. (“Magia de Redenção”)

E você, amado leitor, fica com quem? Com a Codificação Espírita, que tem como base o consenso universal e participação direta de espíritos do quilate de Erasto, Fenelón, S. Agostinho, S. Luis, Vicente de Paulo, Sócrates, Platão, entre outros, sob a égide do Espírito da Verdade, ou com a opinião unilateral de Ramatis?

O “metro que melhor mediu Kardec”, J. Herculano Pires, nos auxilia nesta decisão:

A obra de Kardec é a bússola em que podemos confiar. Ela é a pedra de toque que podemos usar para aferir a legitimidade ou não das pedras aparentemente preciosas que os garimpeiros de novidades nos querem vender. Essa obra repousa na experiência de Kardec e na sabedoria do Espírito da Verdade. Se não confiamos nela é melhor abandonarmos o Espiritismo. Não há mestres espirituais na Terra nesta hora de provas, que é semelhante à hora de exames numa escola do mundo. Jesus poderia nos responder, diante da nossa busca comodista de novos mestres, como Abraão respondeu ao rico da parábola: ‘Por que eu deveria mandar-vos novos mestres, se tendes convosco a Codificação e os Evangelhos?‘” (“Mediunidade” – Herculano Pires – Edicel – 4ª edição – pg. 28)